09 de julho de 2026
Geral

Verão inicia chuvoso; Natal terá sol

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

O primeiro dia de verão, que começou oficialmente às 22h22 de ontem, foi uma amostra do que se pode esperar para o restante da estação: muita chuva. Quem saiu cedo de casa para trabalhar sabe disso. Por volta das 7h30, a água caía em abundância em Bauru. O céu só começa a abrir no domingo e a tendência para o Natal é de predominância do sol, mas com pancadas de chuva à tarde.

A chuva acumulada nas 24 horas, segundo dados do instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) somava 21,6 milímetros, índice dentro da média histórica do período. Porém, a previsão meteorológica para a estação é de chuva entre nível normal e acima da média.

A temperatura elevada, com média diária de 26 graus e a alta umidade relativa do ar, ainda vão provocar muita chuva na cidade nos próximos meses, principalmente à tarde. São pancadas que variam de moderada a forte, de curta duração e, às vezes, acompanhadas de granizo e rajadas de vento. O verão em Bauru costuma superar 13 dias de precipitação e a média é de 750 milímetros durante a estação. A temperatura máxima média prevista gira em 30 graus e a mínima fica em torno dos 17 graus.

“Estamos entrando na estação das chuvas. A partir de agora, os índices de umidade e pluviométricos vão se acentuar, principalmente nos meses de janeiro e fevereiro”, observa Zildene Pedrosa Emídio, meteorologista do IPMet. A chuva de ontem foi provocada pela ação de uma massa de ar fria que está no sul do Estado. Mas de acordo com Pedrosa, a expectativa é que o tempo abra no Natal. “A partir de domingo, a tendência é de predominância de sol, mas também pancadas de chuva à tarde”, fiz.

Mais 2 graus

Além de mais chuvoso, o verão será mais quente. Segundo o meteorologista José Carlos Figueiredo, do IPMet, a temperatura será até 2 graus mais elevada que o normal da estação. Para o especialista, a alteração da paisagem da cidade está diretamente ligada a este aumento.

”Eu não vejo outra causa, a não ser o desmatamento. A alteração da mata nativa provoca esse aumento (de temperatura)”, avalia Figueiredo. Uma alternativa, aponta o especialista, é o investimento em reflorestamento e também na arborização das cidades.

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Reaproveitamento

Aproveitar a água da chuva é uma possibilidade viável e ecologicamente correta. A Concreto Imóveis, localizada na avenida Getúlio Vargas, por exemplo, instalou tubulações que recolhem a água que cai no telhado do prédio da empresa e a leva até duas caixas, com capacidade para armazenar 11 mil litros. A água é reutilizada nas descargas e na limpeza do salão da imobiliária.

“Tivemos essa idéia ao constatar a quantidade de água que cai nos salões comerciais. A idéia é captar esse volume também para que não vire enxurrada na rua”, explica Guilherme Cury, sócio-proprietário da Concreto. “A economia mensal não é muita, mas o objetivo não é esse. Queremos evitar o desperdício e não mandar água para as ruas de Bauru, que sempre sofre com enchentes”, explica.

Para encher as duas caixas é preciso chuva constante durante três dias. Porém, o estoque dura mais de uma semana. Para chamar a atenção dos clientes e incentivar práticas como essa, a tubulação que recolhe a chuva fica à vista e sinalizada. “Quisemos mostrar que a empresa tem responsabilidade social. Além da captação, nós filtramos o nosso próprio esgoto, num sistema de três decantações. Além disso, evitamos desperdiçar energia elétrica instalando clarabóias no teto, o que permite uma melhor iluminação”, enumera Cury.

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Recorde de 23 anos

O verão deve ser o mais quente dos últimos 23 anos no Estado de São Paulo. As temperaturas serão elevadas por conta da forte influência do El Niño - aquecimento das águas do oceano Pacífico - no final da estação, o que não ocorria desde 1983.

Segundo o meteorologista Celso Luís de Oliveira Filho, da Somar Meteorologia, o verão deste ano será dividido em duas etapas. “A primeira, até o final de janeiro, vai ser normal, com calor e pancadas de chuva. Depois, com o início do El Niño, o tempo vai ficar mais seco e quente”, disse.

O especialista explica que o fenômeno deve “segurar” as frentes frias -que provocam chuvas- no Sul do País.

Folhapress