Porto Príncipe - Uma operação conjunta da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Polícia Nacional Haitiana contra a recente onda de seqüestros em Porto Príncipe, coordenada pelo Brasil, acabou ontem em trocas de tiros com gangues armadas na favela de Cité Soleil. Houve ao menos cinco mortos e vários feridos.
A porta-voz da Minustah (Missão de Estabilização da ONU no Haiti), Sophie Boutaud-de-la-Combe, confirmou os confrontos e disse “ser possível” que mortes tenham ocorrido, sem porém dar números. Na ação, o 3.º sargento Gilson Clemente Fonseca foi ferido levemente. Ele não corre perigo.
Em uma ação preliminar na tarde de anteontem, um veículo blindado do Paraguai teve uma pane mecânica e foi alvo de coquetéis molotov. Cité Soleil, uma das zonas mais violentas de Porto Príncipe, com cerca de 250 mil habitantes, está sob responsabilidade dos capacetes azuis brasileiros desde maio.
Segundo nota divulgada pelo Batalhão Brasileiro no Haiti, a operação teve início às 5h10 da manhã de ontem (2h10 em Brasília), com a ocupação de posições estratégicas por tropas brasileiras. Participaram cerca de 300 militares de Bolívia, Brasil, Chile e outros países, além de 40 policiais da ONU, policiais haitianos e 20 blindados.
De acordo com Boutaud-de-la-Combe, a ação teve por objetivo reabrir uma importante via de acesso na zona de Bois Neuf, que havia sido bloqueada pelas gangues. Ela não pôde confirmar se reféns estavam sendo mantidos nessa região. Já o Batalhão Brasileiro afirmou que o “principal objetivo foi fortalecer a presença da Minustah em Bois Neuf e oferecer melhores condições de segurança para a população”.
A nota diz ainda que a força de paz atuou “dentro das regras de engajamento preconizadas pela ONU, para sua autodefesa e somente quando identificadas as ameaças”. Várias vítimas foram levadas a um hospital da organização Médicos Sem Fronteiras.
Comuns no Haiti, os seqüestros foram especialmente numerosos neste mês. Apenas na Capital, Porto Príncipe, 29 crianças foram seqüestradas em três dias.