09 de julho de 2026
Nacional

Artistas se reúnem para pressionar Lula

Por Sérgio Rangel e Silvana Arantes | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Artistas e produtores culturais se reuniram ontem à tarde num teatro da zona sul carioca, para protestar contra a aprovação da Lei do Esporte, anteontem, na Câmara, sem a emenda que eliminava a disputa pelos incentivos com a cultura - beneficiada pela Lei Rouanet.

“Foi uma surpresa acordar e saber que o que havíamos firmado não passou na Câmara”, disse a atriz Marieta Severo.

Os artistas fizeram contato por telefone com políticos, para tentar pressionar o presidente Lula a vetar o artigo da lei que superpõe os incentivos entre cultura e esporte e editar como medida provisória o texto acordado no Senado.

A senadora Ideli Salvatti (SC), líder do PT na casa, afirmou ao grupo que o presidente estava disposto a atender o pedido da cultura. “O presidente não pode passar para a história como o que ficou contra a cultura e o esporte. Espero que esta situação se resolva”, disse o ator Ney Latorraca.

O cineasta Domingos de Oliveira, o ator Marcelo Serrado e a coreógrafa Deborah Colker estavam na reunião. Profissionais de cinema também estão mobilizados em pressionar pelo veto presidencial.

O produtor Luiz Carlos Barreto levanta a hipótese de que o rechaço da Câmara dos Deputados à emenda tenha tido “um conteúdo de confronto com o Senado”.

Para Barreto, a votação na Câmara “caiu num dia mau, em que os deputados estavam sob fogo cruzado da opinião pública a respeito daquele autêntico mensalão (o aumento de 91% em seus próprios salários)”.

O produtor cita que também foi decisiva a ação “de deputados ligados à política sindical, que entenderam que subtrair uma fatia do programa de alimentação do trabalhador (em benefício do esporte) não era aceitável e terminaram sensibilizando outras correntes”.

O presidente do Sindicato da Indústria Cinematográfica do Estado de São Paulo, André Sturm, classifica como “uma traição” a retirada da emenda pelos deputados.

“(O resultado da votação na Câmara) é duplamente ruim, pelo problema em si de colocar esporte e cultura disputando os mesmos incentivos e porque um grande acordo fechado no Congresso brasileiro foi traído na calada da noite”, afirma.

O cineasta Paulo Thiago, presidente do Sindicato da Indústria Cinematográfica e Audiovisual (Sicav), com sede no Rio de Janeiro, disse aguardar que o acordo seja restaurado (pelo veto presidencial), “porque deve existir uma lógica de política de governo, ou senão é o samba do crioulo doido”.