Poucos “garotos propagandas” gozam de tanto prestígio junto público quanto Papai Noel. A popularidade da figura é tanta que chega a fazer inveja até mesmo aos cantores e aos astros do futebol. E não poderia ser diferente, já que o Bom Velhinho é uma espécie de personificação do Natal, época do ano em que comércio registra seu maior volume de vendas.
Em Bauru a agitação é grande, por dois motivos: primeiro, pelo fato de o município ter a economia fortemente ligada ao setor de serviços; segundo, porque a cidade é um dos principais centros de compras do Estado de São Paulo, recebendo consumidores das mais diversas localidades.
Dados da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) ajudam a dar uma idéia da euforia que toma conta da cidade durante o Natal. Segundo estimativas da autarquia, em dezembro de 2005, passaram pelo Terminal Rodoviário, em média, 4.500 usuários ao dia. O movimento foi 40,6% maior do que em novembro do mesmo ano, quando 3.200 circularam pelo local diariamente.
Toda essa gente tinha (e ainda tem) destino certo: elas vão em direção às principais regiões comerciais de Bauru, ou seja, Centro, shopping e grandes avenidas da zona sul. Como não poderia deixar de ser, a euforia natalina costuma ficar concentrada no Calçadão da rua Batista de Carvalho.
Os estabelecimentos ficam repletos de gente de todo tipo e os comerciantes podem ostentar largos sorrisos no rosto. Mas os lucros gerados pela grande movimentação de consumidores não ficam restritos apenas às grandes lojas.
No comércio do Centro há espaço para todo mundo. José Maria Sonega, 52 anos, vende caldo de cana próximo ao cruzamento do Calçadão com a rua Rio Branco e não gosta muito de falar quantos copos do produto vende ao dia. “Dá medo de que apareçam concorrentes”, explica.
Pelo temor demonstrado por ele, é possível supor que o volume seja considerável. A quantidade de cana disponível para moagem confirma sucesso do negócio. São muitos talos, várias dezenas com certeza. Ele reconhece que as vendas têm sido boas, ainda mais nesta época do ano, em que o Centro costuma ficar bastante movimentado. “Só digo que os lucros aumentam em 50%, mais ou menos”, informa.
Sonega se adaptou aos horários do comércio. Desde o começo do mês, ele vem trabalhando das 9h às 22h, inclusive aos domingos. A rotina é cansativa, mas compensa financeiramente, garante o vendedor. O forte calor das últimas semanas é um fator que colabora bastante para o sucesso do caldo de cana.
Outros produtos típicos do verão têm registrado um consumo elevado no Centro, no mês de dezembro. Carolina Gonçalves e Laudicéia Batista da Fonseca vendem sorvete no Calçadão. As duas nem sabem informar quantas unidades do produtos comercializam ao dia. “São muitos, pode ter certeza”, dizem.
Nos últimos dias, as duas não têm tido tempo sequer para respirar, pois toda hora aparece alguém querendo comprar uma “casquinha”. “Às vezes, a fila chega até a esquina”, garante Gonçalves. O ponto onde as duas trabalham fica no meio da quadra.
Ela e a colega também tiveram de adotar uma jornada estendida para poder atender a multidão que freqüenta o Centro durante a noite. Gonçalves garante não se importar com a rotina cansativa. “Faz dois anos que estou nessa vida. Já me acostumei”, afirma.
O trabalho dos comerciantes do Calçadão é duro e nem sempre se reverte em lucros. No último domingo, por exemplo, Sonega lotou uma Kombi com cana e rumou em direção ao Centro, crente de que teria um bom dia de vendas. Mas os resultados obtidos acabaram não saindo como o planejado. “O pessoal resolveu não comprar. Sei lá o que aconteceu...”, conta, meio decepcionado.