09 de julho de 2026
Ser

Minha história: Quando a vida imita a arte


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Há mais de 400 anos, William Shakespeare (1564-1616), o maior poeta da língua inglesa, escreveu uma obra-prima chamada “Romeu e Julieta”. Dizem os estudiosos shakespearianos que os jovens apaixonados de Verona, na Itália, são fictícios.

Atualmente, Manoel Carlos escreve a novela global “Páginas da Vida”, onde os jovens namorados Luciano e Gisele vivem as emoções do primeiro amor. Eles são fictícios.

Estou sentado num banco de jardim, de frente para o mar, na praia do Embaré, em Santos. É a cidade onde nasci, cresci e vivi até meus 18 anos. Um casal de jovens namorados passa por mim. Poderiam sem dúvida alguma se chamar Romeu e Julieta ou então Luciano e Gisele. Seguem alegres, trocando carinhos.

Tendo já vivido seis décadas e meia, recordei com muita saudade os meus 14 anos, em 1955. Quando passeava na areia da praia do Embaré, nas noites enluaradas de verão, com minha primeira namorada. Naquela época, um bolero cantado por Lúcio Gatica, em castelhano, estourava com sucesso nas rádios. Há um trecho da música que ficou para sempre gravada em minha mente: “... nunca poderei olvidar nossas noites junto ao mar...”

Foi um amor não só de corpo, mas também de alma. Havia valores morais a serem respeitados. Entre eles, a virgindade feminina. Não havia motéis e pílulas anticoncepcionais. Felizes aqueles que viveram, na adolescência, um amor profundo, um amor correspondido. Não importa se esse amor não foi imortal, mas sim que foi infinito enquanto durou, como bem diz o poeta maior Vinícius de Moraes, no “Soneto de Fidelidade”...

Gilberto Sidney Vieira