08 de julho de 2026
Geral

Formação depende do cargo e do perfil da igreja em que vai atuar

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Não existe uma receita única para formar um líder. Ela varia de acordo com o cargo a ser ocupado e com a igreja onde irá trabalhar. Enquanto a Igreja Católica, por exemplo, exige oito anos de estudos para aqueles que querem ser padres, em outras não é preciso nenhuma formação teórica. O candidato é avaliado por aquilo que é capaz de fazer na prática.

É o caso da Congregação Cristã no Brasil, dos centros espíritas e de algumas igrejas evangélicas, mais especificamente as neopentecostais. Elas não dispõem de seminários. Os líderes vão surgindo naturalmente. “Quando alguém se destaca (no trabalho da igreja) vai ganhando espaço até, quem sabe, chegar a pastor”, explica o pastor Edson Valentin, diretor do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru.

A Congregação Cristã também não oferece curso de teologia aos seus futuros líderes. Acredita-se que a liderança é um dom dado por Deus. Quando algum membro passa a exibir essa habilidade e tem uma vida espiritual apropriada, ele vai ganhando cada vez mais espaço nos cultos para se aperfeiçoar e, possivelmente, chegar a ser um ancião – principal liderança dentro da igreja.

Em Bauru, existem cerca de 25 igrejas da congregação. O número de anciãos é pequeno, apenas cinco, mas eles são auxiliados pelos cooperadores e diáconos nos trabalhos dentro e fora da igreja. A Igreja Católica também não tem padres suficientes para fazer tudo o que é preciso. Para isso, conta com a ajuda do Conselho de Leigos e Leigas. São eles os responsáveis pelos trabalhos das pastorais, dos movimentos (como o carismático) e dos serviços (com os pobres, por exemplo).

De acordo com o padre Claudemir Moreira, atualmente existe um padre para cada paróquia, quando o ideal seriam dois. Desta forma, haveria mais tempo para que eles pudessem se dedicar a outros trabalhos, como visita a hospitais, por exemplo. “Até temos muitas pessoas querendo ser padre, mas poucas estão preparadas para isso”, comenta. Segundo ele, a maioria não tem as características desejadas para o cargo.

Mesmo aqueles que concluem o seminário, nem sempre se tornam padres. Mas todos, de uma maneira ou de outra, continuam contribuindo com os trabalhos da igreja, segundo o pároco. Na Diocese de Bauru, cerca de 90% das pessoas que estão no seminário têm entre 20 e 30 anos.

Os jovens são a maioria também nos cursos de teologia oferecidos pelas igrejas evangélicas. Para concluir o curso de bacharel em teologia são necessários de quatro a cinco anos. Mas existem cursos mais curtos, com dois anos de duração.

Na doutrina espírita não há seminário, mas os freqüentadores estudam o tempo todo, especialmente se tiverem pretensões ao cargo de dirigente. “O espiritismo é uma filosofia e como tal exige muito estudo”, diz Leila Morales. Os cursos são freqüentes e vão desde orientação mediúnica até o espiritismo científico.

Segundo o dirigente Paulo Estevão Silva, Bauru tem hoje cerca de 30 casas espíritas. Dependendo do tamanho da casa, há uma certa dificuldade em encontrar pessoas dispostas a tocar o trabalho. “Mas não nos preocupamos com isso”, afirma Paulo. “A nossa preocupação é que as pessoas absorvam os ensinamentos”, completa. Segundo ele, quando um grupo de espíritas se reúne para conversar, os oradores e palestrantes surgem naturalmente, mesmo que seja apenas para aquele momento.