O setor supermercadista não espera grandes resultados para o fechamento deste final de ano. A expectativa é de que o faturamento, no máximo, cresça 5% sobre o desempenho obtido no ano passado. O volume de vendas não tem caído, porém, muitos produtos perderam preço ao longo do ano, o que deve reduzir o faturamento, segundo esperam empresários do ramo.
“O consumo deu uma estabilizada. Ninguém está gastando além do que pode, sem falar que muitos produtos ficaram mais baratos. Nossa expectativa é de ganhar o mesmo ou, no máximo, 5% a mais do que no ano passado”, comenta Sérgio Gomes, gerente de um supermercado no Jardim Ferraz, em Bauru.
Para o diretor regional da Associação Paulista de Supermercados (Apas), José Flávio Cabreira, a opinião de Gomes é pertinente. Ele também acredita que os resultados das vendas deste ano não devam superar 2005 pelo mesmo motivo apontado por Gomes.
Cabreira lembra que o custo de itens importantes da cesta de Natal teve redução significativa, o que deve puxar o ganho dos supermercados para baixo.
“Diante do preço menor de alguns produtos, o consumo deve ser maior. Por outro lado, o faturamento dos supermercados será menor. A não ser que haja uma surpresa muito grande, que é o que esperamos”, analisa Cabreira.
Ele ressalta que o preço dos importados sofreu queda de 10%, o do pernil e dos derivados de suíno de 18%, e as aves tiveram retração aproximada.
“Neste ano, a alimentação subiu muito pouco por conta da inflação, que foi muito baixa”, explica o economista Adriano Fabri. Segundo ele, a queda do preço dos importados também vai favorecer a expectativa de estabilidade de faturamento dos supermercados nas festas deste fim de ano.
“Em 2005, quando houve a queda do dólar, os contratos de importação já estavam feitos. Portanto, os importados não ficaram tão baratos como neste ano, quando a importação foi feita no momento em que o dólar já estava mais baixo”, constata.
Concorrência
Além da retração dos preços, outro fator apontado para explicar a expectativa pouco otimista dos supermercados é a concorrência com celulares e lançamentos de informática. Alguns supermercadistas acreditam que a telefonia celular e as novidades do mercado tecnológico, como os ipods, estão motivando os consumidores a gastar menos com alimentação.
“Hoje, o consumidor está focando mais esses dois segmentos, que são concorrentes potenciais nossos”, avalia o gerente Sérgio Gomes.
“Atualmente, as pessoas têm mais condições de comprar celular e outros produtos que há alguns anos não conseguiam. Isso é resultado da facilidade de crédito que passou a ser oferecida no mercado”, analisa Leonardo Cirino, gerente de marketing de uma das maiores redes de supermercado de Bauru.
Para o economista e consultor empresarial Adriano Fabri, essa tendência é motivada pelo preço dos produtos e, sobretudo, pela facilidade de pagamento.
“Hoje está mais fácil para o consumidor encontrar e pagar o eletrônico. Isso faz com que as pessoas assumam parcelas e a ceia, por exemplo, acaba ficando em segundo plano”, observa.
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Na contramão
Apesar das projeções, em Bauru nem todos os supermercados apostam que o desempenho do faturamento neste fim de ano seja igual ou timidamente superior ao resultado obtido em 2005. Marcos Renato Lourenção, gerente de uma rede de supermercados do município, sinaliza que a empresa espera vender cerca de 30% a mais que no mesmo período do ano passado.
“Nos últimos 20 dias, já registramos aumento 10% superior em comparação às mesmas semanas de venda do ano passado. Até o dia 31, estimamos crescer mais 20%”, afirma.
Lourenção atribui o otimismo ao calendário. Segundo ele, neste ano o consumidor terá mais tempo para comemorar o Natal e o Ano Novo. “Como os feriados caíram na segunda-feira, as festas começam na sexta-feira. Serão quatro dias consecutivos de ceia em cada um. Obrigatoriamente, as compras no supermercado terão que aumentar”,avalia.
De acordo com o gerente, 70% das peças de peru, tender e outras carnes especiais de Natal disponibilizadas pela rede haviam sido vendidas até o fim da semana passada.
Em outra grande rede supermercadista de Bauru, que recentemente inaugurou sua quinta loja, a expectativa também é de boas vendas neste fim de ano.
“Teremos um incremento acima da média dos concorrentes por conta da nova loja, mas esperamos sim, um crescimento de, no mínimo, 15% nas vendas”, destaca Leonardo Cirino, gerente de marketing da empresa.
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Peru por frango
As ceias de Natal e Ano Novo do bauruense prometem ser bem “genéricas”. Muitos consumidores, para gastar menos, estão trocando produtos de marcas líderes do mercado por outras mais populares e, também, mais baratas.
Na mesa da professora Luciana Duarte, por exemplo, o peru vai ceder espaço ao frango, a leitoa ao pernil e o panetone será de uma marca menos tradicional.
“Na minha opinião, as coisas estão mais caras que no Natal passado, por isso, o jeito é adequar os produtos ao bolso. Acho que o poder aquisitivo da população caiu muito em 2006”, comenta a professora.
A aposentada Rosemary Ferraz também pretende mexer o mínimo possível na carteira para as compras das ceias de Natal e Réveillon. “Neste ano, vamos abrir mão do peru e comprar menos frutas. A intenção é gastar o mínimo possível, as coisas subiram muito”, reclama a aposentada.
O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira, informou que o setor poderá encerrar o ano com vendas reais inferiores aos resultados de 2005. Para ele, será difícil reverter a queda acumulada de 1,79% nos 11 meses apenas com as vendas de dezembro.
“Para encerrarmos o ano no zero a zero teremos de registrar uma alta nas vendas reais de dezembro de 4,5% na comparação com dezembro de 2005. Não será fácil”, avalia.