No Pronto-Atendimento Infantil (PAI), o dia foi agitado durante a manhã de ontem. Não devido ao número de consultas, considerado normal, mas sim pela chegada da Mamãe Noel Valéria Felício, 47 anos, auxiliar socorrista do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Ela distribuiu aproximadamente 150 brinquedos e empolgou pacientes internados na unidade e crianças que aguardavam atendimento.
Foi o caso de Kathlen Alessandra Lacerda Grazieira, 8 anos, e Tainara Soares, 11 anos. Elas ganharam bonecas e se surpreenderam com a Mamãe Noel. “Não tinha recebido presentes no Natal. Achei legal”, comentou Tainara. “Gostei”, apontou Kathlen, enquanto rasgava o papel de embrulho. A entrega de presentes foi organizada por cerca de 42 funcionários do Samu, que arrecadaram bolas, carrinhos, bonecas, entre outros brinquedos.
Este é o segundo evento realizado pela equipe e foi marcado por muita emoção, disse Valéria. “É a primeira vez que me visto de Mamãe Noel. O trabalho é gratificante principalmente porque as crianças estão em uma situação difícil e isto pode ajudar na recuperação delas”, observou. Nem o forte calor de ontem impediu que ela colocasse a vestimenta típica de Noel. “A roupa é quente, mas eu não me importo de usá-la porque é emocionante”, apontou.
O analista de sistemas Gustavo Alexandre Senger Moura, 39 anos, compartilhou do mesmo de sentimento de Valéria. Há mais de uma década, no Natal, se veste de Papai Noel para alegrar reuniões de família e faz visitas voluntárias a hospitais. Desta vez não foi diferente: na manhã de ontem - a bordo de roupa vermelha, barba, bigode, gorro, barriga postiça e saco de balas - ele foi ao Pronto-Socorro Municipal (PSM) e ao Hospital Beneficência Portuguesa de Bauru distribuir abraços e sorrisos aos pacientes e pessoas atendidas pelas unidades de saúde.
“Tudo começou quando fui, vestido de Papai Noel, visitar um amigo que havia sofrido um acidente na época do Natal e os funcionários do hospital me pediram para passar nos outros quartos”, contou Gustavo. Assim como Valéria, ele destaca a grande emoção em poder levar um pouco de alegria às pessoas. “Eu mais recebo do que dou. Para mim, apresentar um sorriso é fácil, já que a própria imagem do Papai Noel ajuda. Quando chego no quarto de uma pessoa com doença séria, dou um pouquinho de esperança, mas recebo muito carinho, gratidão e amor.”
Tibiriçá
Mais do que proporcionar momentos de alegria, algumas pessoas realizam seus sonhos ao fazer ações voluntárias no Natal. O comprador Fernando César Xavier Alves, por exemplo, sempre quis se fantasiar de Papai Noel e presentear crianças no Natal.
Em 2000, comprou alguns brinquedos e levou-os para moradores do distrito de Tibiriçá. Desde então, não parou mais e sua iniciativa evolui a cada ano. Em 2005, levou cerca de 350 presentes à cidade.
Este ano, com a ajuda de familiares e amigos, conseguiu juntar cerca de R$ 1.500,00 e comprou mais de 500 bolas grandes. Ontem de manhã, distribuiu-as para centenas de crianças na Praça Central de Tibiriçá. O local ficou lotado e ganhou ares de festa. Os pequenos se encantaram com o Papai Noel, que chegou em uma carreata realizada pelos arredores da cidade, distribuindo balas e sorrisos.
Para receber os presentes, as crianças aguardavam ansiosas na fila. Bruno Fernandes Rodrigues, 10 anos e Eduardo Esteves Rodrigues, 5 anos, esperava para ganhar as bolas. “Estou adorando isto”, disse Bruno. Os pequenos não desgrudaram os olhos do Bom Velhinho. Entre eles, Ramón Cassiano Nascimento, 1 ano, e Kemily Amano Barbosa, 2 anos, que embora tivessem um pouco de medo, segundo as mães, gostaram de receber o carinho de Papai Noel.