Depois da publicação da entrevista da distinta professora Mariza Bianconcini (3 Dez), muitas cartas foram enviadas a essa redação comentando o assunto. Umas concordando outras não com a sugestão proposta pôr ela sobre o Deus do Velho Testamento.
É interessante notar que tais cartas estão assinadas por médicos, jornalistas, advogados, psicólogos, pastores, teólogos. etc... Cremos que os títulos ali cravados não têm a menor importância, pois o assunto de que tratam não lhes diz respeito, e por isso não aumentam a credibilidade nos seus argumentos.
Qualquer pessoa com um pouco de instrução e de bom senso pode ter um parecer tão considerável como o de qualquer “doutor”. Os títulos aqui não contam pois o assunto esbarra na religião. Ainda na última carta registrada pelo nosso JC (19/12), o missivista bastante titulado defende os Livros do Velho Testamento em ação contrária à da nossa professora. Para tanto, cita longamente inúmeros trechos do Velho e Novo Testamento, para embasar seus argumentos. Porém, antes de citá-los, borra toda sua opinião ao dizer “devemos jamais renegar as sagradas escrituras”, revelando ai sua pré-condição de fé naquilo que vai expor. Por isso não é uma opinião de todo considerável.
Nossa ilustre professora teve aquela conclusão simplesmente porque seu trabalho foi imparcial e isento de qualquer consideração antes do inicio de seus estudos. Ainda, estes seriam dirigidos ao meio acadêmico e não ao religioso. Sua conclusão, como não poderia deixar de ser, foi lógica. Qualquer pessoa que sem pré-julgamento realizar uma leitura atenciosa sobre o Velho Testamento chegará sem dúvida alguma ao mesmo desiderato.
Dirão os crentes que ali está a palavra de Deus, e sendo assim é digna de fé.
Ter fé em algo é muito reconfortante. Porém, de maneira alguma esta fé, ou qualquer outra, pode mandar o conhecimento e a inteligência humana para a lata do lixo. É o que se sente quando se lê as narrativas da História Judaicas, contidas no Velho Testamento.
Grandes historiadores como Will Durant, Cesar Cantu, e muitos outros, afirmam peremptoriamente que os Livros Sagrados de Israel foram escritos muitos séculos após a fundação da nacionalidade judaica. Séculos ... Até então os fatos eram passados de geração a geração pela tradição oral. Séculos e séculos de boca em boca. Podemos imaginar o que, com toda a certeza, ocorreu com os textos sagrados. Quanta modificação! Quanta interpolação! Quanta criação! Quanta mesmo, piedosa invenção. A fé é capaz de produzir qualquer ato. Dos mais santos aos mais hediondos.
Por tudo isto, os trabalhos da ilustre professora Mariza com suas conclusões têm procedência, merecem consideração e respeito. Quando solicita renegar o Deus hebraico, não o faz pela fé, mas pela análise dos fatos.
Aguardemos a possível publicação das suas pesquisa, que certamente nos trarão mais conhecimento.
Antonio Grecco - RG 5.223.420