09 de julho de 2026
Internacional

Israel retirará bloqueios na Cisjordânia

Por Da Redação | Com Reuters e Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Jerusalém - O governo israelense autorizou ontem a retirada de 27 dos 400 bloqueios rodoviários instalados na Cisjordânia ocupada, uma medida que, segundo as autoridades, se destina a ajudar o presidente palestino, Mahmoud Abbas.

Israel está sob pressão dos Estados Unidos e da Europa para tomar atitudes que ajudem a fortalecer Abbas, da facção Fatah, que recentemente convocou eleições antecipadas contra seus adversários do grupo islâmico Hamas.

Israel espera com essas medidas convencer a população palestina de que Abbas é capaz de proporcionar benefícios maiores que seu rival antiIsrael, o Hamas, que domina o Parlamento.

O Estado judeu diz que seus postos de controle e bloqueios rodoviários - normalmente pilhas de entulho nas estradas entre as cidades e aldeias da Cisjordânia - servem para evitar que militantes realizem ataques contra Israel. Para os palestinos, trata-se de uma humilhante punição coletiva.

Uma fonte israelense disse que a retirada dos 27 bloqueios rodoviários permitirá o transporte de produtos de forma mais livre na Cisjordânia, que ao todo tem centenas de bloqueios e postos de controle.

As autoridades israelenses disseram que a remoção dos bloqueios vai demorar, e não citaram a data para que o trabalho comece. “A remoção é um passo na direção do final de todos os fechamentos internos, a fim de garantir a livre movimentação de bens e pessoas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental”, declarou Saeb Erekat, importante assessor de Abbas, segundo quem há 400 bloqueios e postos de controle na Cisjordânia.

O gabinete israelense também aceitou ontem fazer melhorias no entreposto comercial fronteiriço de Karni, entre a Faixa de Gaza e Israel, a fim de acelerar o trânsito de mercadorias. Outra decisão envolve autorização para que alguns prisioneiros palestinos sejam soltos nesta semana, segundo autoridades.

De acordo com uma fonte israelense, as restrições de viagens a importantes autoridades palestinas e a equipes médicas também serão atenuadas.

Israel reforçou os bloqueios na Cisjordânia depois do início da rebelião palestina de 2000 e ampliou as restrições de movimento desde o início do governo do Hamas, em março.

“Chegamos à conclusão de que devemos certamente começar a aliviar (a pressão) nos postos de controle, especialmente em áreas que não constituem uma ameaça - para facilitar os movimentos um pouco dentro das aldeias e entre as aldeias”, havia dito anteriormente o ministro israelense da Defesa, Amir Peretz.

Na primeira reunião formal do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, com Abbas, no sábado, o líder israelense aceitou transferir 100 milhões de dólares em impostos devidos aos palestinos por Israel, contornando o governo do Hamas.

Olmert ainda afirmou que gostaria de retomar as discussões de paz com a Síria, mas que, antes, Damasco teria de retirar seu apoio aos militantes palestinos. O premiê palestino, Ismail Haniyeh, do Hamas, deve ir à Jordânia nesta semana debater com Abbas o recente surto de violência entre os dois grupos.