Depois da maratona de quase 20 dias de compras, muitos consumidores voltaram às lojas ontem para trocar os presentes ganhos na noite de Natal. Em Bauru, o comércio ficou movimentado desde as primeiras horas de abertura dos estabelecimentos. Muita gente, inclusive, veio de cidades próximas para substituir os produtos.
A empresária Glauciane Alves de Aro é um exemplo de quem teve de passar por essa situação. Ela precisou retornar à loja onde comprou os dois presentes do filho para substituí-los, já que ambos apresentaram defeito. “Hoje (terça-feira) consegui trocar o videogame, que parou de funcionar. Mas não tive a mesma sorte com o ioiô (eletrônico), que só chega na semana que vem”, ressaltou.
Ontem, a disposição do consumidor era mesmo para trocar presentes. Em uma loja de calçados do Bauru Shopping, 24 trocas foram efetuadas até o começo da tarde. Segundo a gerente Lucimara Fernanda Benedito, o procedimento é autorizado desde que a peça tenha valor igual ou superior ao da mercadoria que será devolvida.
“Quando o cliente efetua a compra na loja, já orientamos a manter a etiqueta na peça para fazer uma eventual troca, que pode ser realizada dentro de 30 dias em qualquer uma de nossas unidades”, informa.
Quem ganhou livro neste Natal mas prefere outro título, também teve de passar pela livraria onde o volume foi comprado. Em uma loja especializada do shopping, o movimento também foi grande ontem, conforme relatou a gerência.
“Vendemos muitos livros para presente neste Natal. A expectativa é de que pelo menos 30% do total (de presenteados) queira fazer a troca. Nesta semana, a maior parte do movimento deve ser pela procura desse serviço”, comenta a gerente da loja, Paula Torres.
De acordo com ela, o estabelecimento dá prazo de 15 dias para a substituição da mercadoria. Entretanto, o procedimento exige a apresentação da etiqueta da loja, que é fixada nos volumes.
Procon
Apesar da intensa movimentação pelas trocas de presentes de Natal, as lojas não são obrigadas a aceitar a mercadoria de volta, salvo em algumas situações. Amauri Roma, coordenador do Procon em Bauru, esclarece que o consumidor só tem direito a fazer a substituição caso o produto apresente defeito ou a loja tenha se comprometido com o cliente em trocar a mercadoria.
“O consumidor ainda faz muita confusão por achar que qualquer produto pode ser trocado. Ele acha que, por conta de não ter gostado da cor da calça ou porque a camisa não serviu, pode exigir que a loja faça a substituição. Nesses casos, nenhum estabelecimento é obrigado a fazer a troca”, salienta.
Roma lembra que, segundo a legislação, bens não-duráveis (perecíveis) devem ser trocados em até 30 dias, enquanto os duráveis (não perecíveis) podem ser substituídos num prazo de três meses.
Ele orienta o consumidor a recorrer ao Procon quando o estabelecimento se recusar a fazer a troca de uma mercadoria que apresente defeito ou que não esteja cumprindo com o acordo de aceitar a devolução combinada no ato da compra. O coordenador lembra que é importante a apresentação da nota fiscal.
Ainda segundo Roma, até o meio da tarde de ontem o órgão havia recebido quatro reclamações de consumidores referentes à substituição de presentes.
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Deve ser concluído até o fim desta semana o trabalho de orientação que o Procon vem realizando com os lojistas de Bauru sobre a necessidade do uso dos leitores de códigos de barra ou de etiquetas de fácil visualização e entendimento com os preços dos produtos. Todas as lojas do Calçadão da Batista de Carvalho e do Bauru Shopping devem receber as equipes até sexta-feira.
Segundo o presidente do Procon, Amauri Roma, apesar da chuva dos últimos dias ter atrasado algumas visitas, o cronograma não será prejudicado.
De acordo com ele, o objetivo é começar a orientação em lojas que ficam fora do centro comercial logo no começo do mês que vem. “Entre os estabelecimentos que já visitamos, 60% já estão procurando se adequar à determinação. O próximo passo será levar essas informações aos estabelecimentos comerciais que ficam nos bairros”, destaca.
Roma diz que as lojas especializadas em jóias, calçados e roupas são os estabelecimentos que mais estão encontrando dificuldades para começar a cumprir a nova legislação. Segundo ele, a quantidade de produtos que essas casas dispõem dificulta e torna lenta a etiquetagem das mercadorias.