Acompanhado por um advogado e alegando legítima defesa, Rodrigo Leite, 24 anos, procurou ontem pela manhã o 3.º Distrito Policial (DP) e confessou ter matado a facadas Alcione Aparecida Olegário de Souza, 22 anos, na véspera de Natal em Bauru. A moça foi morta com 30 golpes e não com 49 como a Polícia Militar (PM) havia informado preliminarmente. A vítima foi ferida logo após sair de uma boate, na quadra 20 da avenida Duque de Caxias.
De acordo com a versão de Leite, era Alcione quem estava com a faca na madrugada do homicídio. Ainda segundo o rapaz, ela partiu na direção dele na tentativa de golpeá-lo, mas ele conseguiu desarmá-la. Depois, ele a atingiu várias vezes. Leite, que trabalha com o serviços gerais numa empresa da cidade, contou também que a moça era sua amásia há seis anos e que ainda moravam juntos no Núcleo Habitacional Octávio Rasi.
O casal teve um filho -atualmente com 2 anos - que, na ocasião do crime estava sob os cuidados da avó materna. Mas a família da moça contou ao titular do 3º DP, Francisco Bromati Filho, que Alcione estava separada de Leite havia três meses. Quando saiu da boate, a vítima estava acompanhada pelo maquinista Rogério Douglas da Silva, que recorreu ao Posto de Trânsito da Polícia Militar para comunicar o crime, após assisti-lo.
De acordo com relato registrado em boletim de ocorrência (BO), ao perceber que Rodrigo Leite seguia os dois, Alcione pediu a Silva que se escondesse, já que temia alguma atitude violenta do rapaz. A agressividade dele teria minado o relacionamento de Rodrigo e Alcione, conta a família. O maquinista será ouvido hoje como testemunha, informa o delegado.
De acordo com Bromati, ao apresentar-se ontem, Leite ainda disse ter estranhado, nos últimos tempos, a conduta da amásia. Contou que Alcione teria pego seu salário e gasto em programas noturnos, não restando nada para ser usado em casa. O depoimento constará no inquérito que apura as circunstâncias do crime.
Apesar da violência do homicídio, Leite não foi preso porque não estava em estado de flagrante delito (não foi pego logo em seguida ao crime). Ele se apresentou ontem, dois dias após o homicídio qualificado, cuja pena pode chegar a 30 anos de reclusão.