08 de julho de 2026
Nacional

TAM volta a vender passagens aéreas

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Uma semana depois do pior episódio da crise aérea, os aeroportos tiveram um dia de relativo alívio ontem. Dos 1.206 vôos programados em todo País até as 17h, 23% tiveram um atraso superior a uma hora e 37 foram cancelados. O maior transtorno foi no aeroporto de Guarulhos, onde 51 dos 124 vôos atrasaram e oito foram cancelados.

A TAM voltou a vender passagens ontem, após quatro dias de suspensão das vendas de bilhetes para vôos domésticos. Uma equipe de auditores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está na sede da empresa em São Paulo para verificar o que causou os transtornos durante o feriado prolongado do Natal.

O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, passou o dia acompanhando os trabalhos da auditoria e das fiscalizações e só vai se pronunciar quando o relatório final da agência estiver pronto. Não há prazo.

Desde a noite do último dia 19, uma seqüência de atrasos e cancelamentos de vôos, mais uma vez, provocou a superlotação dos saguões e salas de embarque dos terminais. Milhares de passageiros foram prejudicados. Por meio de nota a TAM informou que 28 vôos foram cancelados ontem. Ao menos 681 vôos estavam programados. A empresa informou que o cancelamento aconteceu por causa da baixa demanda para as viagens de negócios.

Na nota, a TAM ainda afirma que é submetida com regularidade a auditorias da Anac, além de outros órgãos nacionais e internacionais. A empresa aérea terá de explicar aos auditores por que precisou de 17 aeronaves extras para transportar passageiros nos últimos três dias. A companhia aérea alegou que tinha seis aviões em manutenção, o que teria causado o desequilíbrio entre as passagens vendidas e sua efetiva capacidade operacional.

Para a Anac, as contas entre o estoque de reservas e os embarques efetuados pela empresa não batem, e a TAM deverá apresentar uma justificativa para o fato de, em alguns casos, haver 25 passageiros presentes no check-in mas não embarcados em um mesmo vôo.

Se a TAM for considerada responsável por infrações como overbooking (venda de mais passagens que assentos no vôo) ou comercialização de vôos sem condições operacionais, estará sujeita a multas. As outras empresas aéreas também estão sendo fiscalizadas para evitar problemas no próximo pico de fluxo aéreo, na sexta, próximo ao Ano Novo.

Bagagens

Na mesma nota, a TAM admite a dificuldade de identificar os proprietários da maioria das 3 mil bagagens extraviadas nos aeroportos.

No comunicado, a empresa diz que somente 150 malas no aeroporto Tom Jobim, no Rio, e 100 bagagens no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica (Guarulhos), estão identificadas. A empresa informou que as equipes da área de bagagens e cargas estão realizando a entrega dos volumes nos endereços dos passageiros. A perspectiva é de que este trabalho seja concluído ontem.

Anteontem, a TAM divulgou balanço informando que 3 mil malas estavam perdidas pelos aeroportos do País. Uma sala extra da Infraero (estatal que administra os aeroportos) em Congonhas teve de de ser usada pela TAM para guardar o material, já que o local destinado a isso estava completamente lotado.

A empresa encontra dificuldade em identificar e liberar as malas sem etiqueta de identificação.

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Sem nada para vestir

Rio - Sem as malas desde quinta-feira, quando desembarcou em Guarulhos (Grande São Paulo) para passar o Natal e o Ano Novo com a mãe, a professora Sandra Regina Gomes de Oliveira, 39 anos, voltou ontem ao aeroporto com a esperança de ter suas roupas de volta. Vinda de Viena, na Áustria, onde mora com o marido austríaco, Regina só conseguiu da TAM uma ajuda emergencial de US$ 50 - valor que a empresa paga para passageiros “em trânsito” de vôo internacionais.

Das malas, nada se sabe. Depois de passar mais de duas horas no setor de bagagem, Regina foi informada que o prazo estipulado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para que suas duas malas sejam devolvidas é de 30 dias. “Não posso ficar todo esse tempo sem minha bagagem. Eu não tenho roupas para vestir.”

Após os 30 dias, se a bagagem não for encontrada, a TAM deve pagar a Regina uma indenização de R$ 55,82 por quilo. Para vôos nacionais, o valor é de R$ 27,35 por quilo. Em sua primeira viagem pela TAM, o português Eduardo Freitas, 47 anos, gestor de telecomunicações em Lisboa (Portugal), diz que já teve suas bagagens extraviadas outras vezes.

“O problema é ficar sem informações.” De suas dez malas, uma não foi encontrada. Freitas, que partiu com sua mulher de Goiânia - onde estava a trabalho - até Guarulhos, de onde seguiu para Portugal, conta que sua mala estava identificada. “Vamos voltar a Portugal sem uma mala. De lá, vou processar a TAM.”