09 de julho de 2026
Nacional

PT cobra mudanças e Lula garante áreas sociais e estratégicas

Por Da Redação | Com Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Ao reiterar à cúpula do PT que tirará espaço da legenda para dar aos aliados em seu segundo mandato, especialmente ao PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos dirigentes do seu partido que a área social e funções estratégicas ficarão sob mando de petistas.

Lula não detalhou quais seriam as pastas que destinará a outros partidos, mas sinalizou, por exemplo, a manutenção do Ministério do Desenvolvimento Social na cota petista. Essa pasta, dirigida pelo petista mineiro Patrus Ananias, é a responsável pelo principal programa social do governo, o Bolsa Família. Lula incentivou o PT a se associar mais a esse programa.

A comissão política do PT cobrou ontem do presidente mudanças no segundo governo, sobretudo na política econômica. Em encontro no Palácio do Planalto, a cúpula do partido disse que o próximo mandato não pode ser de “continuidade”. Uma das reivindicações do PT é a substituição de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central e a permanência de Guido Mantega no Ministério da Fazenda.

O presidente, no entanto, disse que só vai tratar das mudanças na sua equipe depois que retornar de um período de recesso, na segunda quinzena de janeiro. Ou seja, a reforma deve ser realizada na virada de janeiro para fevereiro.

Segundo os próprios petistas, Lula disse que haverá uma “nova orientação” na política econômica, mas isso não implica em mudanças na equipe nem rupturas com o atual modelo. “O presidente nos expôs que vai realizar mudanças graduais nos ministérios, que não tem pressa, que as transformações não serão em dias nem semanas”, afirmou o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia.

O dirigente petista negou que o partido tenha sugerido no encontro a substituição de Meirelles no BC ou cobrado ministérios, embora outros presentes na reunião tenham confirmado a conversa. “O PT não vai pedir mais espaço nem falar em abrir mão dos que tem. (O governo) não é um latifúndio, (o presidente) não está fazendo uma reforma agrária (nos ministérios). O PT tem quadros para ocupar funções no governo e vai colocar os nomes no momento oportuno”, disse.

Com relação a economia, Garcia sinalizou que o presidente não deverá dividir a decisão com os partidos da coalizão sobre quem ocupará os cargos da área. “O comandante da política econômica é o presidente da República”, afirmou. Apesar disso, o líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), deixou o encontro afirmando que’o PT quer ter papel estratégico na área econômica” e indicou que a continuidade de Mantega na Fazenda agrada ao partido. “Ter um ministro como Mantega é positivo”, disse.

Câmara

O presidente recomendou à comissão política do PT que busque um candidato único na disputa pela Presidência da Câmara. Os dirigentes petistas buscar apoio ao nome do candidato do partido, deputado Arlindo Chinaglia (SP), mas Lula disse que não vai se manifestar oficialmente. Ele recomendou que as siglas que compõem a coalizão busquem o consenso em torno de um único nome.

A proposta do presidente é que os partidos avaliem entre os candidatos da base aliada quem tem mais condições de vencer a disputa pela Presidência da Câmara. “Temos que aprofundar o diálogo para que consigamos construir em dez, quinze dias uma candidatura única. Temos que ter um método de aferição do diálogo político dentro da Câmara para chegar a conclusão de quem vai ser o candidato da base”, disse o líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), após encontro com o presidente.