08 de julho de 2026
Turismo

Angra dos Reis

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Américo Vespúcio, o grande navegador que deu nome à América, quando passou por Angra dos Reis teria exclamado: “Se o paraíso existe, ele deve estar bem perto daqui”. De fato, a combinação de montanhas cobertas de mata atlântica, as praias de areia fofa e as águas cristalinas faz daquele trecho do litoral fluminense um dos mais cobiçados dos milionários brasileiros. Todos os empresários, com mais de um bilhão de reais acumulados, têm casas na chamada Costa Verde.

No cais do Iate Clube, percebe-se o número de iates que chegam a custar 2 milhões de dólares. Começamos a compreender porque o metro quadrado de terreno na orla de Angra é o mais caro do Brasil. Angra dos Reis é formada por 365 ilhas (uma para cada dia do ano) e duas mil praias repletas de belezas naturais e badalação.

O passeio de escuna é imprescindível para observar o mar transparente e as mansões dos ricos e famosos, erguidas em ilhas particulares. A do Boni, ex-todo-poderoso da Globo, está na Ilha da Gipóia. Pitangui, o cirurgião-plástico, tem uma ilha só para ele, com aeroporto e tudo. A família de Roberto Marinho acaba de vender a sua “vila”, onde criava flamingos, por alguns milhões de dólares. Dizem que, com a morte de Marinho, os herdeiros resolveram transformar o espólio em dinheiro para pagar dívidas.

Mas o pedaço que mais se sobressai para nós, simples mortais, é a Ilha Grande. Essa não tem dono. Considerada um paraíso para os aventureiros, com suas trilhas, cachoeiras e praias desertas, teve papel importante no cenário histórico e cultural do Brasil, por abrigar um presídio durante quase 60 anos. As ruínas são marcas de um passado de violências, rebeliões sangrentas e lembram o confinamento dos bandidos mais perigosos do País. Durante a ditadura militar, o local foi presídio político. A história conta que, na convivência com os presos comuns, os “subversivos” ensinaram a eles táticas de guerrilha urbana, como assaltar bancos. Deu no que deu...

Nada disso tira a beleza da Ilha Grande e das suas prosaicas pousadas. Precisamos de uns três dias hospedados na própria ilha, para conhecer todos os seus recantos inesquecíveis.No século XVII, quando Angra dos Reis era vila, eram constantes as incursões de piratas pelas suas ilhas e litoral. Muitos barcos foram afundados, muitas histórias de tesouro surgiram.

No cais de Angra, onde os barcos aportam, existe o Shopping Piratas, com 70 lojas que promovem as melhores grifes e oferecem a famosa Moda Rio, própria para os dias quentes. Lembra muito o Bal Harbour, de Miami.

Angra dos Reis, descoberta no Dia de Reis, em 6 de janeiro de 1502, foi batizada com esse nome justamente por isso. Um integrante da esquadra de Américo Vespúcio escreveu no diário de bordo: “Algumas vezes, me extasiei com odores das árvores e das flores e dos sabores dessas frutas e raízes, tanto que pensava comigo estar perto do paraíso terrestre. E o que direi da quantidade de pássaros, das cores das suas plumagens e cantos, quanto são e de quanta beleza? Não quero me estender nisso, pois duvido que me dêem crédito”.

Acreditem ou não, Angra é isso mesmo. O povo de lá tem consciência ecológica. As crianças, desde o pré-primário, aprendem a respeitar e exigir respeito ao meio ambiente. Talvez por isso as praias sejam tão limpas, as águas cristalinas e os morros ainda se vistam de verde. A única coisa que não conseguiram evitar foram as usinas nucleares Angra I e Angra II, assuntos para discussões acaloradas.

Os estaleiros navais, falidos, voltam agora a funcionar com as encomendas de construção e de reformas de plataformas marítimas da Petrobras. Bom para a economia do município. O povo agradece, mas não deixa de ficar de olho na proteção ambiental e exigir responsabilidade social das empresas.