A vida passa rápido. Voltadas ao trabalho e à busca da satisfação pessoal, a maioria das pessoas não reflete sobre o cotidiano e deixa de aproveitar atividades aparentemente despretensiosas, mas que um dia podem ficar reservadas apenas à memória. Com 60 anos de idade, Marcílio Rodrigues da Silva aproveita intensamente cada minuto do dia trabalhando, brincando e, principalmente, andando de bicicleta. E é isso que pretende fazer em 2007.
No caminho uma pequena descida, na qual a bicicleta percorre sem esforço. No rosto, a sensação do vento batendo na pele, colando a roupa ao corpo e desarrumando o cabelo. “Enquanto isso, a mente voa por diversos lugares, desde a infância até hoje”, revela o “ciclista” Silva, que mora há um ano no Abrigo para Idosos da Vila Vicentina e praticamente todo o final de tarde reserva alguns minutos para praticar a atividade que mais gosta.
O caseiro aposentado revela que os valores mudam quando o tempo passa e a idade vai aumentando. “Quando somos mais novos, levamos as coisas mais na brincadeira. Não olhamos muito à nossa volta e refletimos a respeito da importância de cada coisa”, diz.
Além de andar de bicicleta, Silva trabalha na própria Vila Vicentina, confeccionando fraldas, atividade que também não pretende parar de realizar enquanto tiver saúde. Assim como as constantes rodas de brincadeira com os seus nove netos. “Nós nos sentamos e passamos o tempo brincando de carrinho”, conta, com olhos brilhantes.
A filha de Silva mora em Bauru, mas ele prefere permanecer na Vila Vicentina para ter mais sossego e não atrapalhar os parentes. O Natal do vovô ciclista foi na própria na Vila Vicentina. Ele confessa que se divertiu ganhou presentes e fez pedidos.
“Quando a gente chega a uma certa idade, a coisa que mais desejamos é ter saúde, para poder se movimentar e fazer tudo o que quiser”, afirma. “Outra coisa é mentalizar o bem para todas as pessoas”, completa.
Treze anos mais velho que Silva, o caminhoneiro aposentado Laurindo Santa Rosa relembra das constantes viagens e pescarias que costumava realizar quando era mais jovem. “O que eu gosto mesmo é de pegar a estrada”, conta ele, que também mora na Vila Vicentina há uma no e tem dificuldade de locomoção.
“Hoje dou muito mais valor às coisas simples da vida, que antigamente não ligava. Agora o que mais pratico é o descanso e a observação”, revela Santa Rosa, que irá passar o Ano Novo na companhia do filho que mora em Bauru.