Mais um golpe do bilhete premiado foi aplicado em Bauru. Ontem, uma consultora de 62 anos perdeu R$ 9 mil ao acreditar em uma mulher que a abordou pedindo ajuda para trocar um bilhete da loteria supostamente premiado. Neste mês, foram mais de cinco golpes semelhantes registrados na polícia.
Com algumas variações, o golpe funciona da seguinte forma: o golpista simula ser uma pessoa de pouca informação e pede ajuda à vítima para trocar um bilhete da loteria que ele diz estar premiado. Durante a conversa, surge mais uma ou duas pessoas que se mostram interessadas na história do bilhete premiado.
O golpista oferece o bilhete à vítima para que ela receba o prêmio e, em troca, pede um determinado valor em dinheiro. Após entregar o dinheiro pedido, a vítima recebe o bilhete e acaba ficando sozinha. Ao conferir o bilhete na casa lotérica ou banco, a vítima descobre que não há prêmio e que caiu em um golpe.
No caso de ontem, a vítima foi abordada por um dos golpistas, uma mulher morena, de cerca de 1,75 metro de altura, quando chegava em casa na área noroeste da cidade. A mulher perguntou à vítima por uma outra pessoa, de nome Jorge, que supostamente ajudaria na troca do bilhete.
Durante a conversa, surgiram mais três homens, um deles com trejeitos femininos, que se mostraram dispostos a ajudar a mulher a trocar o bilhete premiado. Na verdade, todos eram golpistas cuja função era ajudar a convencer a vítima a ficar com o bilhete em troca de dinheiro. Um deles, inclusive, estava com um Vectra, que a vítima não soube precisar se era da cor prata ou cinza.
Convencida pelos golpistas, a vítima seguiu até uma agência bancária da Bela Vista e retirou R$ 9 mil, que ela entregou à mulher em troca do bilhete. Com o bilhete em mãos, quando procurou uma lotérica, a consultora descobriu que havia caído em golpe.
O caso foi registrado no 1.º Distrito Policial, que deve remetê-lo para a Delegacia de Investigação Geral (DIG). No início do mês, uma vítima do golpe do bilhete chegou a deslocar-se de Bauru até Agudos, na companhia do golpista, para sacar R$ 3,4 mil e não percebeu que estava sendo enganada. Em outro caso, um senhor de 81 anos entregou R$ 20 mil a golpistas.
Em entrevista anterior concedida ao Jornal da Cidade, o delegado Luiz Carlos Amado frisou que o poder de persuasão dos golpistas é alto, o que leva pessoas instruídas e experientes a acreditar no prêmio. Para prevenir tornar-se vítima, ele orienta desconfiar sempre de proposta de dinheiro fácil, não acreditar em histórias contadas por estranhos e, na dúvida, procurar a polícia.
Pelas últimas ocorrências em Bauru, o delegado observa que o alvo dos golpistas são pessoas mais idosas, que acreditam na história contada. Mas ressaltou que, na maioria dos casos, a vítima caiu no golpe porque pretendia tirar vantagem financeira na “ajuda”. O delegado não descarta que pessoas de outras cidades estejam aplicando o golpe em Bauru. “É fácil para os golpistas chegarem a Bauru, ficar em um hotelzinho, aplicar o golpe e ir embora”, diz.
Em golpes como o do bilhete, a polícia se baseia nas informações sobre os golpistas passadas pela vítima para fazer as investigações - por isso é importante o registro da ocorrência e o fornecimento de detalhes. Mas há também outros recursos, como imagens da câmera do circuito interno dos bancos, quando o golpista acompanha a vítima até o interior da agência. A DIG, inclusive, está procurando uma mulher filmada acompanhando uma das vítimas do golpe em Bauru.