08 de julho de 2026
Internacional

Execução de Saddam Hussein poderia ser amanhã

Por Da Redação | Com Folhapress e Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - A Casa Branca crê que a execução do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein “poderia ser” amanhã, disse ontem um alto responsável da administração americana que pediu anonimato. O funcionário disse ter recebido de seus compatriotas em Bagdá sinais de que a sentença de morte não seria aplicada “esta noite, horário dos Estados Unidos, nem amanhã, hora do Iraque. Talvez seja outro dia”.

Contudo, destacou que a conclusão da execução de Saddam Hussein será decidida pelo governo iraquiano. “É uma decisão que pertence ao governo do Iraque”, assegurou.

Amanhã começa a festa muçulmana do Hadj. Neste dia, cada chefe de família muçulmano deve sacrificar uma ovelha, em memória do patriarca Ibrahim (Abraão) que, segundo o Corão, estava a ponto de enforcar seu filho Ismael por ordem de Deus, quando este lhe enviou uma ovelha consagrada ao sacrifício para salvar seu filho.

Tanto o premiê italiano, Romano Prodi, quanto o ministro das Relações Exteriores da Itália, Massimo D”Alema, repudiaram a condenação de Saddam à morte.

Um dos advogados de Saddam Hussein, Giovanni Di Stefano, afirmou hoje em entrevista televisiva que pediu aos EUA que não entreguem o ex-presidente iraquiano, que consta como prisioneiro de guerra americano, às autoridades iraquianas para ser executado. Di Stefano disse no canal via satélite “Sky” que os Estados Unidos “têm em suas mãos” o futuro de Hussein e que pode negar-se a entregar o ex-ditador ao Iraque “por não ter tido um julgamento justo”.

O advogado italiano afirmou que enviou este pedido à Comissão de Direitos Humanos dos Estados Unidos e que considerou o processo contra Saddam “um julgamento político”. Di Stefano anunciou que verá o ex-ditador iraquiano em 4 de janeiro, após a autorização das autoridades americanas, desmentindo, portanto, que a execução de Saddam fosse ocorrer antes dessa data.

Além disso, o advogado afirmou que o ex-ditador iraquiano “é um homem forte, que sofreu muito” e que “está preparado para morrer”.

Cardeal quer clemência

O cardeal Renato Martino, diretor do Departamento de Justiça e Paz do Vaticano, disse esperar que o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein seja poupado da forca, citando a oposição da Igreja à pena de morte.

Martino disse ao jornal “La Repubblica” que ainda há chance de uma clemência de última hora para Saddam, cuja sentença foi confirmada nesta semana por um tribunal superior de recursos do Iraque. “Ainda há um período de 30 dias (prazo dado pela Justiça para a execução), a assinatura do presidente é necessária, as coisas podem acontecer”, disse Martino.

Martino criticou as autoridades dos EUA na época da prisão de Saddam, há três anos, por divulgarem imagens em que soldados examinavam seus dentes “como se ele fosse uma vaca”, o que o cardeal considerou ser uma humilhação desnecessária.

O ex-representante do papa na ONU disse que “sem dúvida” Saddam foi responsável por massacres de inocentes, mas que isso não muda a oposição da Igreja à pena capital.

Martino também defendeu a realização de uma conferência de paz para o Oriente Médio, e reiterou a posição do Vaticano de que a ocupação do Iraque por tropas sob o comando dos EUA foi um erro. “(O falecido papa) João Paulo II fez seu dever. Ele disse que seria uma aventura para a qual não haveria volta. Agora é isso que estamos vendo.”

Vilão e herói

Em pesquisa feita pela AP-AOL News nos EUA, o presidente George W. Bush ficou ao mesmo tempo no topo da lista de maior vilão e da de maior herói de 2006. Um em cada quatro entrevistados o escolheram como “o mais malvado do ano” - à frente de Ossama Bin Laden e do ex-ditador Saddam Hussein.

Já como herói, Bush recebeu menos votos: 13% o consideraram “o mais bonzinho”. Em segundo, vieram as tropas norte-americanas no Iraque, com 6%. O ator Mel Gibson, protagonista de um episódio anti-semita neste ano, foi citado como “mau exemplo”.