Bagdá - Mais de 108 mil iraquianos se registraram para receber ajuda do governo como refugiados internos no mês passado, segundo dados oficiais divulgados ontem que indicam um forte crescimento no número de deslocados pela violência sectária. “A principal razão por trás do crescimento nas famílias deslocadas é a deterioração da situação de segurança e as ameaças de morte que as pessoas receberam para fugir das suas casas, além das bombas em áreas seguras”, disse o vice-ministro da Migração, Hamdiya Ahmad.
Desde o atentado de 22 de fevereiro contra uma importante mesquita xiita de Samarra, que desencadeou a atual onda de violência sectária, 72 mil famílias, ou 432 mil pessoas, solicitaram a ajuda do governo, segundo Ahmad. Até meados de novembro eram 54 mil famílias, ou 324 mil pessoas. Além deles, segundo dados da ONU, cerca de 100 mil iraquianos fogem do país por mês.
Esses deslocamentos estão redefinindo o mapa religioso de aldeias e bairros, pois grupos armados tentam estabelecer “áreas limpas”, num processo já comparado por alguns ao da guerra civil iugoslava. Em média, pelo menos cem iraquianos são mortos por dia no Iraque.
Só em Bagdá, onde os sunitas cada vez mais se concentram a oeste, movimento contrários dos xiitas, 42 mil pessoas fugiram das suas casas desde o atentado de Samarra, segundo Ahmad. Bagdá tem uma população de 7 milhões de pessoas. A maioria dos deslocados é do cinturão agrícola em torno de Bagdá.
No sul e no norte da cidade, grupos armados queimaram aldeias e jogaram corpos em estradas de terra para intimidar e expulsar os moradores, com o objetivo de criar rotas seguras para a capital, segundo militares dos EUA. O sul do Iraque e o chamado Médio Eufrates, todas elas áreas xiitas, receberam o maior número de refugiados, de acordo com Ahmad.
O ministério baseia sua estimativa numa média de seis pessoas por família. O governo reconhece que muita gente não aparece nas estatísticas porque fugiu para o exterior ou não se registrou junto ao governo.