Brasília - O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse ontem que o governo aposta no “bom senso” dos deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) para que cheguem a um acordo na disputa pela Presidência da Câmara. O comentário foi feito horas depois de Aldo ter afirmado a interlocutores que não vai desistir da eleição mesmo que tenha que enfrentar Chinaglia no plenário.
O ministro disse que considerou a postura de Aldo de dizer que não vai renunciar como uma jogada política. “No tabuleiro do xadrez político as pessoas tem determinados cálculos e ele deve apostar que isso fortalece a sua candidatura”, disse. Tarso afirmou ainda que PC do B e PSB não podem “cometer o desatino de chegar com duas candidaturas” em fevereiro, quando será definido o novo presidente da Casa. Os dois partidos da base estão fechados com Aldo, que tem ainda o apoio de legendas da oposição como PFL e PSDB.
O ministro cobrou maturidade da base ao citar o episódio que levou a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para o comando da Casa. “Os dois têm maturidade suficiente para chegar no momento adequado e unificar. Se as pessoas não aprenderam a lição é porque não tem maturidade para enfrentar o processo político democrático”, disse. Ele garantiu que a base terá apenas um candidato na disputa e insinuou que o governo pode interferir para buscar o consenso.
“Não há urgência. O presidente da Câmara só vai ser eleito em fevereiro, mas seguramente com as negociações e discussão (do governo) com os partidos, as mediações que vamos fazer, esta questão vai estar resolvida”, disse. A reportagem apurou que uma das hipóteses é o presidente convidar o candidato com menos força para um ministério.