Os traumas causados na sociedade pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) neste ano continuam vivos, ainda mais agora que as facções criminosas do Rio de Janeiro promoveram ataques a ônibus e delegacias de polícia. Bauru viveu horas de apreensão por possíveis novos tentados. Um rapaz, que afirmava ser integrante do PCC, foi detido em um bilhar da quadra 4 da avenida Rodrigues Alves
Anteontem à noite, a Polícia Militar (PM) foi acionada pela proprietária do bilhar, que reclamava que um cliente se comportava de maneira suspeita. O homem em questão era o mecânico Éric Aparecido de Almeida, 24 anos, natural de Várzea Paulista, região de Jundiaí.
Ele não portava documentos, mas carregava dois telefones celulares, recebendo ligações a todo instante. Ao ser questionado sobre o porquê dos dois aparelhos, o suspeito alegou que um deles servia exclusivamente para ele se comunicar com a namorada.
Almeida informou que estava hospedado em um hotel na Vila Cardia. Logo depois, porém, o suspeito resolveu mudar a versão e declarar que, na verdade, era membro do PCC. Ele seria o responsável por transferir ligações telefônicas feitas pelos integrantes da facção. Isso causou estranheza nos policiais já que, geralmente, a relação com a facção costuma ser negada até mesmo por pessoas que de fato a integram.
“Nem mesmo o Marcola (Marcos Willians Herbas Camacho, a principal liderança do PCC) não costuma admitir essa ligação, quando interrogado”, afirma Silberto Sevilha Martins, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) em Bauru de Bauru.
Mesmo diante da versão conflitante, os policiais resolveram averiguar as afirmações do mecânico, indo até o hotel indicado por ele. Lá eles vieram a saber que ele tinha um companheiro de quarto o também mecânico Jorge Fohat Abochami, 48 anos, natural de Jundiaí.
Ele é de origem cubana, fato que também traz dúvidas aos investigadores. Assim como Almeida, Abochami portava um celular e afirmou ser colega de trabalho do suspeito. A polícia apreendeu os aparelhos telefônicos dos dois, encaminhando os objetos para perícia. Até o fechamento desta edição, a polícia ainda não havia confirmado se eles são mesmo membros do PCC, tal qual Almeida havia afirmado.
Um detalhe curioso, porém, é que durante o espaço de uma hora e meia, entre a abordagem do primeiro suspeito ao instante em que BO terminou de ser lavrado, os celulares de Almeida receberam aproximadamente 40 chamadas. Nenhuma delas foi atendida pelos policiais que cuidaram do caso. O celular foi apreendido para investigação e os dois rapazes, foram liberados.