08 de julho de 2026
Polícia

Coronel Eclair se defende de acusações de crime

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

O caráter festivo da inauguração da nova base do Corpo de Bombeiros de Bauru, ocorrida ontem de manhã, foi ofuscada durante alguns minutos por um problema que nos últimos dias vem causando incômodo ao alto escalão da Polícia Militar (PM) paulista.

As dores de cabeça começaram depois que o coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, comandante-geral da PM do Estado de São, o sub-comandante Paulo Marino Lopes e o coronel Clóvis Santinon, ex-corregedor da corporação, passaram a ser acusados de cometer sete crimes de prevaricação e agir, por quatros vezes, de forma complacente com atos irregulares de seus subordinados.

O pivô das acusações - feitas pela corregedora das Auditorias Militares, Eliana Passarelli - foi a nomeação do major Carlos Roberto Consani para o posto de tenente-coronel. Na avaliação da promotora, ele não preencheria “requisitos morais” para ocupar o cargo.

Eclair usou parte de seu discurso para se defender das acusações. Ele desqualificou as denúncias, dizendo que todas as nomeações são decididas pela própria corporação. “Aqui quem manda é o comandante. Aqui quem decide é o alto comando e o Governador do Estado”, disse, com a voz um pouco alterada.

Eclair também se referiu às denúncias como “política suja”. Ele está prestes a deixar o comando-geral da PM paulista - será substituído pelo coronel Roberto Antônio Diniz. “Saio com a consciência tranqüila”, garantiu.

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que estava presente ao evento, também fez referências às acusações durante seu discurso. Sem mencionar a promotora, ele desqualificou as denúncias, referindo-se a elas como mal intencionadas.

Tobias cobriu o coronel de elogios, fazendo questão de exaltar a postura assumida por Eclair no período em que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital sacudiu o Estado com inúmeros atentados a ônibus e postos policiais. O deputado selou seu apoio entregando ao comandante uma placa de homenagem.

Após a cerimônia, Eclair também comentou os recentes atentados contra ônibus e delegacias ocorridos no Rio de Janeiro. Na sua opinião, os ataques ocorridos em São Paulo e no Rio têm causas diferentes. Por outro lado, ele não descarta nenhuma possibilidade. “Não podemos ser arrogantes de achar que essa realidade não chegará até aqui mas, por enquanto, nada indica que essa realidade irá se repetir por aqui”, disse.