Na Bauru de quase 360 mil habitantes, o ano de 2006 foi marcado pela falta de investimentos para todas as áreas. Na cultura, isso não foi diferente. Mas, neste ano, a arte se impôs pela força de quem acreditou no seu trabalho. Foram muitos artistas que se destacaram em teatros, casas de shows, galerias e telas daqui e de outras cidades, arriscando-se em caminhos autorais para mostrar a qualidade da produção cultural bauruense movida principalmente à paixão.
Teatro e dança
O ano de 2006 começou promissor para os grupos de teatro da cidade. Uma parceria inédita entre Poder Público e Associação de Teatro de Bauru e Região (ATB) resultou na 1.ª Semana do Teatro Infantil, com apresentações de seis companhias da cidade no Teatro Municipal. Mas o início do que seria um grande projeto terminou na Justiça com os artistas reivindicando da prefeitura o dinheiro pelos serviços prestados, que não foi pago até hoje.
O fato foi visto pelo ator e diretor da Cia. Mandrágora, Huxley Ivens, como descaso das autoridades públicas. “O não-pagamento é uma prova de que o teatro não é valorizado nem pelos representantes da Cultura. Falta alguém de pulso firme para comandar, afinal muitos atores dependem do teatro para sobreviver!”, desabafa.
O ator também criticou o preço cobrado para utilizar os teatros da cidade que, segundo ele, acaba desestimulando a classe artística. “Montar um espetáculo custa caro. Imagine então alugar um teatro e não arrecadar quase nada com bilheteria? Assim, fica muito difícil produzir”, lamenta.
Todos esses empecilhos atrapalharam, mas não impediram que o diretor montasse “Romeu e Julieta”. O espetáculo estreou em abril, no Teatro Veritas, e ganhou grandes apresentações em Minas Gerais. Na cidade de Monte Santo de Minas, a peça foi aplaudida por mais de 4 mil pessoas.
O bom resultado estimulou o diretor, que anunciou mais dois espetáculos para 2007: o infantil “João e Maria” e a comédia “Fiz Uma Casada”. Além disso, Ivens pretende rodar um longa sobre a história de Bauru. “Minha intenção é lançar o filme em agosto, no mês de aniversário da cidade”, afirmou.
Além da Cia. Mandrágora, o grupo Enquanto Ela Não Vem também produziu novos espetáculos neste ano, como o infantil “Vô Doidin e o Feitiço da Bruxa” e o adulto “Grades”. Com poucos recursos cênicos e explorando as múltiplas possibilidades da interpretação, o ator Ezequiel Rosa produziu “Pequena História do Amor ou a Ilha dos Sentimentos”. O ano de 2006 ainda teve com a segunda mostra de teatro da Companhia Teatral Atuar com Amor e Carinho (Atucaec).
O teatro bauruense também se propagou no Brasil e no Exterior com o espetáculo “O Circo dos Objetos”, do Grupo Mariza Basso Teatro de Formas Animadas. A peça foi selecionada para compor o Festival Internacional de Teatro de Bonecos, em Curitiba; o Festival Jardim Sul, em São Paulo; a Mostra do Serviço Social da Indústria (Sesi) de Bonecos e Formas Animadas e o Festival Internacional de Marionetas, em Portugal.
A Cia de Teatro Sylvia que Te Ama, dirigida por Márcio Pimentel, foi igualmente contemplada pelo circuito Sesi. De um total de 103 grupos, dez foram escolhidos, entre eles o de Bauru, que apresentou o premiado espetáculo “Vem Vento” em diversas cidades do Estado de São Paulo. A Companhia ainda estreou neste ano a peça “Simulacro”. Montado com parte dos recursos provenientes da Lei Municipal de Estímulo à Cultura, o espetáculo foi apresentado em Catanduva e deve chegar por aqui em 2007.
Bauru também dançou em 2006, com destaque para a Cia. Nós da Dança e Cia. Balerina que saíram carregando diversos prêmios dos festivais de dança de Barra Bonita e de Ourinhos. A cidade ainda foi prestigiada com os espetáculos de dança “A Bela Adormecida”, adaptado pela coreógrafa Scheilla do Valle, e “A Pequena Sereia”, apresentado pela Academia de Dança Art & Movimento.