09 de julho de 2026
Cultura

Produção independente foi destaque

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

O cenário da música independente de Bauru encontrou alguns guetos para se proliferar neste ano. Muitas bandas, sem recurso para se lançar por gravadoras profissionais, encontraram na Internet o meio ideal para divulgar seu som. A tecnologia também esteve a favor desses músicos no processo de gravação, como no caso das novas bandas Strange Music e Serotonina e Música de Metro e a já “quase avó” Bonequinho, que produziram seus CDs em estúdios caseiros.

A cidade respondeu a essa produção, abrindo os ouvidos para a música local, como os barzinhos que se tornaram muito mais atrativos com os shows da Monte de Bossa e de Bitenka, que depois de 26 anos de trabalho lançou o primeiro CD autoral, “Madeira”.

“Foi um processo muito difícil porque tive que fazer praticamente tudo sozinho, mas o resultado está sendo ótimo. Escutar o público cantar suas músicas é uma realização”, diz Bitenka. A música de trabalho do segundo disco, que deve sair em 2007, “Refrão da Canção”, já está sendo tocada na rádio Veritas. “Rádios universitárias tocam minhas músicas, mas acho que até mesmo as comerciais deveriam ter um tempo destinado à produção dos artistas locais”, sugere.

Tradicionais pontos de rock, o Armazén Bar e o Audio Galaxy Bar foram palcos freqüente dos grupos da cidade Mommy Let’s, Inlakesh e Norman Bates E Os Corações Alados, que agora se prepara para lançar a remasterização do primeiro CD, “O Rock’n’Roll Destruiu a Minha Vida” pelo selo bauruense Pisces Records.

“A distribuidora pediu para remixar as músicas para obter a qualidade exigida pelas rádios”, coloca o vocalista Luís Paulo. O trabalho custou caro. Toda a renda dos shows da Norman Bates deste semestre foi destinada ao projeto. E foram muitos shows, não apenas em Bauru, mas também na Capital e em cidades da região.

O prestígio do grupo em grandes centros é analisado pelo vocalista. “Se formos comparar Bauru a cidades do mesmo porte, devemos levantar as mãos para o céu. Tudo bem que ainda impera o cover, mas, aos poucos, o mercado se abre ao Interior e a cidade começa a ter a sua própria cena”, diz.

Para o ano que vem, além da divulgação das faixas do primeiro disco, a banda deve seguir na divulgação de composições novas que estarão em seu segundo CD, “Eu Te Amo Muito, Mas É Mentira”, ainda sem previsão de lançamento. Em 2007, o vocalista também pretende publicar seu primeiro livro de contos, “Absurdos Plausíveis” pelo selo Serdobem.

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Artes plásticas

Telas, esculturas, desenhos e instalações de artistas de Bauru ficaram empoeirados à espera de lugares para exposição ou, principalmente, de compradores em 2006. Mesmo assim, neste ano a cidade foi atraente para profissionais de fora, como o paraense Macisty que, em menos de um ano no Município, participou de cinco mostras individuais e uma coletiva.

Aqui, as obras de Macisty percorreram a maioria dos locais com espaço para as artes plásticas, como o Sesi, o Templo Bar, Jeribá Bar, Correios e Galeria Angelina W. Messenberg, no Centro Cultural. “Como meus quadros são diferentes por fazer referência à Amazônia, fui muito bem aceito por aqui”, analisa o artista, que ainda não teve a oportunidade de expor no Espaço Cultural Maria José Nogueira Paschoalotto, inaugurado em agosto.

Mas quem pensa que essas exposições lhe renderam dinheiro, engana-se. Até agora, Macisty vendeu apenas um quadro. “Sinto que aqui não há uma cultura para o mercado de arte”, lamenta. Mesmo assim, o artista pretende ficar. “Vir para Bauru me colocou em contato com outros artistas. E isso valeu a pena, pois essas experiências interferiram no meu trabalho; hoje minha obra está mais contemporânea, urbanizada”, conta.

No quesito experiência, a cidade se mostrou rica por abrigar tantos mestres que brilharam neste ano. Como a artista plástica Lairana, convidada a integrar a maior mostra de arquitetura, decoração e paisagismo do País, a Casa Cor. Bauru também comemorou o prêmio de melhor pintura obtido pela tela de Sueli Dabus na Bienal Internacional de Arte de Roma.

E não foi apenas isso. Em 2006, Bauru ainda pôde ver as obras do mestre Laranjeira, aos desenhos de Marivaldo e às telas de Viviane Mendes e do carioca CACosta, que expuseram seus trabalhos em diversos locais da cidade.

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Audiovisual

Com o fácil acesso às ferramentas, a produção de vídeos caseiros se tornou mais viável, acelerando a criação cinematográfica, principalmente no circuito universitário. Prova disso foi o curta musical “Apollo”, dirigido pelos então estudantes de jornalismo da Universidade do Sagrado Coração (USC) Fernando Lima e Vitor Cardoso e selecionado entre mais de 850 inscritos para o 14.º Festival de Cinema de Gramado.

“2006 foi um ano legal porque nosso trabalho foi reconhecido. Mas o que deixa qualquer pessoa frustrada é a falta de apoio de empresas. Nós trabalhamos com audiovisual muito mais pelo prazer, do que pelo lucro”, diz Lima. A seleção em Gramado incentivou os diretores a se lançarem em novos projetos. “Estamos escrevendo um roteiro de um curta que pretendemos filmar em película em 2008. Para isso, vamos captar recursos em 2007”, adianta.

A produção universitária também foi marcada por três documentários produzidos por alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp): “De Alma Livre – Uma História de Catireiros e Foliões”, “De Sol a Sol” e “Rio Bauru: Um Rio que Pede Socorro”, exibidos durante a Mostra de Documentários, realizada neste mês no Automóvel Club.