O vereador Paulo Madureira (PP) não aguardou sua posse como presidente do Legislativo, amanhã, para adotar uma postura baseada no diálogo, que deve marcar sua gestão a partir de 2007. Bem antes da solenidade oficial, informa que já discutiu com o prefeito Tuga Angerami (sem partido) uma proposta alternativa de parcelamento da dívida da administração municipal com a Fundação de Previdência (Funprev). Vale lembrar que o prefeito retirou sua proposta original depois que a Câmara fez uma emenda ao projeto de parcelamento da dívida de R$ 74 milhões em 20 anos. A sugestão, compartilhada por outros membros da Câmara Municipal, ainda está em estudo no Palácio das Cerejeiras. Madureira garante, no entanto, que os R$ 3 milhões reivindicados por Tuga e que sairiam dos cofres municipais com a emenda dos vereadores estarão garantidos se o projeto avançar e for aprovado posteriormente. O vereador, porém, não detalhou seu conteúdo, que deve ser divulgado nos próximos dias. Conforme o JC publicou, a dívida da Prefeitura com a Funprev já soma R$ 74.375.598,05, valor que sofre correção mensal pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mais juros de 1% e amortização. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Jornal da Cidade - Que projetos a oposição deve aprovar de qualquer jeito para não emperrar os trabalhos da administração municipal?
Paulo Madureira - Não de qualquer jeito. Mas temos projetos muito importantes. É o caso da Funprev (Fundação de Previdência). Nós temos que adequar essa conta para a prefeitura não perder muito dinheiro.
JC - O senhor vai conversar com o prefeito sobre o assunto?
Madureira - Já conversei, já me reuni com ele. Já sentamos para tentar achar um denominador comum. Para que seja bom para a prefeitura e para a Funprev. Estamos começando a encaminhar. Agora nós vamos fazer uma convocação da Funprev, para poder sentar a Funprev, a prefeitura e Câmara Municipal logo nos primeiros dias do ano. Não que seja uma proposta colocada no pescoço do prefeito, não.
JC – Garante os R$ 3 milhões para o prefeito nos próximos dois anos?
Madureira - Garante (os R$ 3 milhões), mas não atrapalha (a negociação e o futuro da dívida). É uma idéia nova que surgiu, que não teve tempo ainda de passar pelo crivo do secretário de Finanças. Mas foi levada para o prefeito municipal, que aceitou e muito bem. Ele já passou para o secretário de Finanças, mas não tem resposta.
JC - Quem elaborou a proposta?
Madureira - Foi junto com o prefeito municipal. A proposta precisa andar um pouco mais. Precisa do aval da Secretaria de Finanças, do prefeito municipal e da Funprev. Nós precisamos resolver logo essa questão, de um jeito ou de outro. Ou com essa solução ou outra que seja levada. Não pode também ser uma solução colocada no peito dos vereadores, que eles não votam. Mas se for viável para a cidade, nós vamos votar.
JC - No caso da Funprev, faltou jogo de cintura do prefeito.
Madureira - Bastante. Eu tenho um grau de amizade muito grande com o Tuga, de falar que eu não concordo com algumas coisas, com toda a clareza do mundo. Não vou um ser um cara que vai votar contra por votar. Todas as vezes que eu não votar, vou procurar dar uma solução. É muito fácil criticar e não dar solução. É fácil ser um oposicionista radical, mas é mais difícil ser um oposicionista com propostas.
JC - Quais são suas críticas à gestão Tuga Angerami?
Madureira - O prefeito precisa avançar na questão de seu secretariado e desemperrar a máquina. Essa é o principal problema. A prefeitura inteira não funciona. As pessoas demoram dias e dias para serem atendidas, tudo leva tempo. O prefeito tem que resolver isso. Primeiro ele, depois os secretários. Não é quantidade de funcionários, é a máquina, é o gerenciamento que não funciona. O secretário de Obras já é o quarto, o de Esportes é o quarto, o do Planejamento é o segundo. Tem gente lá muito autoritária.
JC - Essa crítica o senhor fez ao Paulo Brittes, secretário de Obras.
Madureira - Ele chegou lá ditando regras que não existem na prefeitura. Não adianta o secretário querer peitar todo mundo. Ele tem que trabalhar em harmonia. O Tuga não é de peitar, é de ouvir. Mas não está realizando aquilo que deveria. É uma crítica construtiva.
JC - O senhor é um vereador de oposição. Como, então, conciliar a harmonia com o Executivo e a independência?
Madureira - Uma coisa é você ser independente e crítico. Outra coisa é você ser independente e crítico construtivo. Às vezes, a crítica construtiva constrói muito mais que um “tapinha” nas costas. Às vezes, uma colocação certa, pensando na cidade, é muito melhor. Quando você critica uma administração, nunca é a pessoa, é a administração.
JC - E com relação ao Plano Diretor? Como conciliar a pressão dos variados segmentos e as vontades da população?
Madureira - Não vai ser difícil. Nós já estamos discutindo há três, quatro meses na Câmara. Nós fizemos entender a quem elaborou o plano qual a condição que a cidade precisa. O Plano Diretor é um plano inchado, de propostas políticas, de ações de governo e não um plano de desenvolvimento para a cidade. Vamos ter outras reuniões para adequar o plano. Mas vamos ter um dos melhores Planos Diretores do Estado de São Paulo.
JC - Tem gente que entende o discurso do crescimento como favorável aos interesses dos empresários e não da população.
Madureira - Não concordo. Tem que ter a sabedoria de abrir a cidade e também não deixar o poder econômico dos grandes empreendimentos ter vantagem. Tem que haver uma discussão ampla, como está sendo feito. No Plano Diretor você tem que saber para onde você quer que vá o setor industrial, para onde vai o comércio e o desenvolvimento residencial. E isso não estava claro. Agora está.
JC - E a questão do recesso do meio do ano, será diminuído?
Madureira - Eu quis acabar com o recesso de 75 dias e trazer para 30. Mas a minha proposta não andou. Eu vi que isso não era da vontade dos vereadores. Então, eu vou sentar com todos os vereadores, vamos discutir isso e aí vou apresentar um tipo de projeto nesse sentido.
JC - E com relação ao terceiro assessor?
Madureira - O vereador que entrar com pedido, eu vou colocar (o terceiro assessor). Tem uma lei que foi votada há seis, sete anos atrás, que transitou em julgado, e voltou para a Câmara. Então, eu tenho que cumprir.
JC - Alguém já pediu?
Madureira - Não, ainda não. Mas se for uma pessoa que trabalhe, eu não vejo problema dele ser contratado. O que eu vou barrar é a pessoa ser contratada e não trabalhar para a população. Você pode ter certeza que eu vou fiscalizar.