Dez horas de trabalho, meia tonelada de arroz e foram necessários para que japoneses e descendentes radicados em Bauru produzissem 750 quilos de moti, um bolinho de arroz apreciado o ano inteiro pelos orientais e amplamente consumido na virada do ano. Ele é considerado um símbolo de sorte e agradecimento pelos 365 dias que se passaram.
Massaru Ogino, de 71 anos, relações públicas da Igreja Budista de Bauru, que tradicionalmente reúne membros da comunidade para produzir o bolinho de arroz no penúltimo dia do ano, conta que a tradição é milenar, mas nasceu com o objetivo de celebrar as divindades dos elementos da natureza - água, terra, fogo e ar. “Como o moti é um produto genuíno da terra, pois a matéria prima é o arroz, é ideal para estas oferendas”, diz.
Ele revela que a maioria dos envolvidos na produção do bolinho, que com o passar dos anos deixou de ser considerado um símbolo de agradecimento e passou a ser um encarado como um item que traz sorte, tem idade avançada. “A tradição litúrgica está sendo esquecida com o tempo, mas continua sendo hábito entre famílias de terceira e quarta geração e até mesmo para brasileiros”, afirma.
De acordo com Ogino, a cada ano a produção da iguaria é mais elevada. O motivo: disseminação para familiares e parentes. “Muitos descendentes se casam com brasileiros, que levam a cultura para dentro de suas famílias, expandindo o gosto pelo moti”, revela.
A produção começou às 5h e se estendeu até por volta das 15h. O arroz é lavado no dia anterior e cozido no vapor por cerca de 40 minutos, até atingir o ponto ideal, quando é levado a uma batedeira para ganhar liga. Depois a massa é cortada e recheada pelas mulheres, enquanto os homens retiram o amido de milho, utilizado para evitar que os bolinhos grudem, e fazem a embalagem.
Com 86 anos, o japonês Kiuroku Sasaki, participa da fabricação do moti há 30 anos e pretende não parar tão cedo. “É cansativo, mas vale a pena porque trazemos à tona e mantemos uma tradição milenar da cultura japonesa”, afirma.
Eduardo Kozomatsuno, 71 anos, tradicionalmente adquire alguns pacotes de moti para levar à família. “A gente junta o útil ao agradável. Além de ser gostoso, dizem que dá sorte. Mas na verdade é algo que não pode faltar na nossa culinária”, revela.
Kenji Osajima, proprietário de uma loja de produtos orientais, revela que a procura pelo moti não acontece apenas no final do ano. “Ela aumenta nessa época. Mas na verdade, temos bastante procura o ano todo, até mesmo por não-descendentes.”
A iguaria produzida em Bauru é famosa. Hiroko Honda, de 73 anos, estava na loja de Kenji adquirindo moti. “Eu como durante o ano todo. Compro este aqui em Bauru e levo para São Paulo porque nunca encontrei um tão gostoso quanto esse por lá”, conta.