Os deficientes físicos conhecem como poucos as dificuldades de se viver numa casa repleta de obstáculos. Devido às limitações de mobilidade a que estão sujeitos, degraus e portas estreitas convertem-se em barreiras intransponíveis para eles e móveis mal colocados transformam-se em armadilhas perigosas.
Danilo Ruiz tem 16 anos e vive no Núcleo Fortunato Rocha Lima (zona noroeste de Bauru). Ele sofre de um tipo raro de envelhecimento precoce (aparenta ter 70 anos) e por isso tem dificuldades de locomoção. Sua estatura é mais baixa que o normal e seus membros são atrofiados.
Danilo até consegue andar, só que com dificuldades. “Para ele ir até a esquina é um grande sacrifício”, garante a mãe, Lourdes de Souza Ruiz, 45 anos. Para piorar, há algumas semanas, o rapaz fraturou a tíbia e agora é obrigado a andar de cadeira de rodas.
A casa onde eles vivem é pequena. O quarto onde Danilo dorme é minúsculo e abriga três camas: a dele, a da mãe e a da irmã. Não há espaço para que a cadeira circule, por isso Danilo tem de se apoiar com dificuldade nos móveis para chegar ao leito.
O piso sem ladrilho também não é dos mais adequados para pessoas com esse tipo de limitação, mas ao menos não é derrapante, evitando, assim, possíveis escorregões. As portas da residência são meio estreitas e Danilo também sofre pra transpô-las.
A mãe até que gostaria de fazer adaptações no imóvel que tornassem o lar mais seguro e acessível para o garoto com aparência de senhor. “Vontade eu tenho, mas falta dinheiro”, diz ela.