Pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) aponta que o Brasil é o País com a maior incidência de raios no mundo. Segundo o estudo, anualmente incidem entre 50 e 70 milhões de descargas elétricas no território nacional, sendo 25 milhões delas somente nas regiões Sudeste e Sul, que são afetadas, principalmente, no período chuvoso de dezembro a março. Por isso, essa é a época para se preocupar com a “saúde” dos diversos aparelhos elétricos e eletrônicos existentes dentro de casa, que podem ser avariados durante as fortes chuvas comuns no verão.
Todos os anos, com o início da temporada de chuva, empresas de assistência técnica de todo o País registram crescimento de mais de 50% no número de equipamentos para reparo. Há casos de cidades com maior incidência de descargas elétricas, onde a quantidade produtos danificados aumenta cerca de 70%, como em Teresina, no Piauí, um dos municípios com maior índice de queda de raios do mundo.
Mas evitar transtornos do gênero não é complicado nem exige grandes mudanças de hábito. Com pequenas atitudes preventivas é possível evitar que as tempestades e chuvas de forte intensidade gerem prejuízos dentro de casa.
O bauruense Jesus Lino Moreira Vieira, dono de uma loja de venda de materiais elétricos e também eletricista, orienta que a regra geral é desligar da tomada, até a chuva dissipar, todos os aparelhos que dependam da eletricidade para funcionar, como televisões, sons, DVDs, microondas, despertadores, geladeiras, acendedores elétricos de fogões e computadores. E não se iluda. Nem mesmo o fato de residências estarem próximas a pára-raios é garantia de segurança contra as descargas elétricas. “Por onde passam, eles (raios) queimam tudo e podem ocorrer até mesmo onde existam pára-raios. Por apresentarem voltagem muito alta, queimarão tudo o que estiver ligado. Assim, não custa nada desligar da tomada a aparelhagem, pois é só esperar a chuva passar e ligá-los novamente”, orienta Vieira. E acrescenta: “Se o morador sair e deixar a casa sozinha, não deve esquecer de tirar os aparelhos das tomadas. Afinal de contas, não se pode brincar com a natureza.”
Dupla cobertura
O engenheiro eletricista bauruense Davi Lourenço de Alfenas segue o mesmo raciocínio preventivo destacado por Vieira. Ele explica que a precaução é necessária porque a infra-estrutura anti-raios existente nas cidades não é capaz de oferecer 100% de cobertura. “Cerca de 90% dos raios na natureza são aqueles cujo sistema de proteção da rede de energia elétrica da cidade é capaz de absorver, mas 5% das descargas são superiores à capacidade dos equipamentos que temos instalados nessa mesma rede. Se fossemos fazer um sistema para proteger tudo, ele ficaria tão caro que não teríamos como pagar sua instalação”, esclarece Alfenas.
Por isso, além de desconectar ou desplugar os aparelhos domésticos das tomadas, o engenheiro eletricista recomenda não ligar nenhum desses equipamentos durante chuvas fortes, temporais ou tempestades. Desta forma, tomar banho ou ligar um liqüidificador ou microondas, entre outros eletrodomésticos, devem ser evitados.
“São cuidados pertinentes, pois, apesar de ser baixa, existe a probabilidade de ocorrerem acidentes residenciais por causa de raios. Se um desses, que se enquadre dentro daqueles 5% que não são capazes de serem absorvidos pela rede de energia, cair próximo a uma casa em que a pessoa esteja tomando um banho ou com o liqüidificador ligado, há possibilidade de problemas”, afirma. E complementa:
“Nossas casas estão preparadas para isolar até 220 volts e, quando esses raios caem, existe probabilidade de ter o aumento dessa tensão. Um raio de 10 mil amperes caindo em um poste próximo às residências, se você estiver a um metro do poste seria submetido a 750 volts, quase cinco vezes a capacidade para o qual todo isolamento residencial está preparado. Se você está operando um liqüidificador que está preparado para isolar 220 volts e recebe uma carga de 1000 volts, a chance de receber um choque é grande.”