A periferia é o novo “hype” da televisão. A moda pegou com a “Turma do Gueto”, na Record, e chegou à Globo, em produções como “Palace 2”, “Cidade dos Homens”, “Central da Periferia” e, mais recentemente, na série “Antônia”. Mas, apesar de serem inspiradas nos subúrbios - algumas com personagens protagonizados por atores que vivem ou viviam em regiões periféricas -, todas são ficcionais.
A exceção é o “Central da Periferia”, cujos primeiros quatro “capítulos” acabam de ser reunidos em um DVD. Parceria entre a atriz-apresentadora Regina Casé, o diretor Guel Arraes e o antropólogo Hermano Vianna, “Central da Periferia” estreou em abril deste ano, com um show no Morro da Conceição, em Recife, e seguiu para São Paulo, Salvador e Belém. Todos com o mesmo formato, o de um programa de auditório, ao vivo, com performances de estrelas das periferias locais, entremeado por cenas e histórias de bastidores.
São exatamente essas as imagens que fazem de “Central da Periferia” um dos melhores investimentos da TV e, talvez, um dos mais belos trabalhos sobre a cultura suburbana na televisão. Com um conhecimento profundo sobre os temas que aborda, Casé realiza ótimas entrevistas apresentando os protagonistas das periferias locais e traça um paralelo entre as modas atuais e as antigas tradições da região e também de outros Estados.