10 de julho de 2026
Política

Padre afirma que partidos não formam seus militantes

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 1 min

A participação da Igreja Católica nas lutas sociais se confunde às vezes com partidarismo. Isso porque muitos dos seus ideais são compartilhados pelos partidos de esquerda. Essa relação entre igreja e política já foi mais íntima. Hoje, arrefeceu um pouco, mas ainda existe.

De acordo com o padre e teólogo José Oscar Beozzo, a igreja ainda cumpre sua função de instância que incentiva a reflexão, a crítica, que trabalha a conscientização dos militantes cristãos espalhados em diferentes partidos. “Para que eles aprendam valores no campo da ética, tenham uma visão social e econômica mais consistentes”, diz.

Para Beozzo, os partidos políticos descuidaram da formação política e social de seus militantes. Segundo ele, a última legenda que fez um trabalho sério nesse sentido foi o antigo Partido Comunista. “Ele punha o pessoal para estudar, fazer análises. Depois veio o PT que criou o Instituto Cajamar, uma escola de formação em conjunto com o sindicato (Central Única dos Trabalhadores – CUT)”, comenta. De acordo com ele, sem uma formação política consistente, corre-se o risco de “desastres” como os que ocorreram recentemente nos episódios das ambulâncias e do mensalão, para citar apenas dois.

Com a desistência dos partidos, a igreja vem aprofundando com as Escolas de Fé e Política, locais, e o Centro Dom Helder Camara, nacionalmente, o trabalho de formação de militantes políticos preocupados com as questões éticas, econômicas e sociais.

“Eu tenho a impressão de que daqui há 10 ou 15 anos vamos sentir a diferença desse investimento”, acredita Beozzo.