09 de julho de 2026
Geral

Vandalismo consome R$ 1 mi por ano

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Placas danificadas, mudas arrancadas, orelhões destruídos, muros pichados, lâmpadas quebradas. Atos de vandalismo têm contribuído para deteriorar o patrimônio público e causar inúmeros prejuízos econômicos aos cofres do Município. Em 2006, Bauru teve um prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão com consertos e reposição de peças danificadas.

Com esse dinheiro, seria possível construir pelo menos 72 casas populares. Isso sem contar os gastos que moradores e empresas locais tiveram para pintar os muros pichados e reparar outros danos.

O prejuízo maior, no entanto, ficou mesmo para os cofres públicos. Os dois setores mais afetados foram os de responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Entretanto, o prejuízo foi geral. Ou seja, atingiu todos os setores.

De acordo com o novo secretário da Semma, Rodrigo Agostinho, a estimativa é que o Município tenha perdido cerca de R$ 1 milhão para reparar os danos causados por atos de vandalismo no ano passado. Segundo o secretário, o valor é apenas uma estimativa. “Pode ser que o prejuízo tenha sido maior ou um pouco menor”, diz.

A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) informou que o vandalismo causou à empresa uma despesa que supera os R$ 4 mil em 2006. A Telefonica não soube dizer qual foi seu prejuízo em Bauru. Mas em todo o Estado, a empresa gastou mais de R$ 14 milhões no ano passado para recuperar orelhões danificados.

Segundo a empresa, cerca de 25% dos telefones públicos do Estado são depredados todos os meses. A Telefonica não informou quantos orelhões existem hoje em Bauru.

De acordo com a assessoria de imprensa da Emdurb, todos os meses cerca de 900 placas de sinalização são substituídas na cidade. Desse total, cerca de 200 tem como motivo para a troca a depredação. Na maior parte dos casos, as placas são entortadas ou então pichadas, o que impede sua leitura correta. Outro tipo comum de vandalismo é a quebra do postinho que sustenta a placa.

Cada peça nova custa R$ 59,78 para a Emdurb. Quando ainda é possível recuperar a placa, o conserto sai por cerca de R$ 25,00. Todo o trabalho, tanto de produção como de conserto, é feito pela própria autarquia.

Já a assessoria de imprensa da CPFL informou que no ano passado foram registrados 89 casos de vandalismo em Bauru. As duas principais ocorrências foram lâmpadas quebradas e objetos lançados contra a rede de distribuição de energia.

Os ataques contra a rede normalmente resultam na suspensão temporária do fornecimento de energia no bairro, o que torna o prejuízo ainda maior, porque não atinge apenas a empresa, mas também os moradores. Cada lâmpada quebrada custa para a CPFL um valor aproximado de R$ 45,00 já contabilizada a mão-de-obra. Mas segundo a assessoria, esse valor pode variar bastante dependendo da extensão do estrago. Às vezes, é preciso fazer mais do que simplesmente trocar a lâmpada.

A substituição, segundo a empresa, é feita em até 48 horas a partir do momento que ela é comunicada do problema. Os moradores podem entrar em contato com a CPFL para alertar sobre a necessidade da troca de lâmpada pelo telefone 0800-010101.

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Gasto inútil

Muro pichado é uma das coisas mais comuns de se ver pela cidade. Para qualquer canto que se olhe, lá está a marca do vandalismo. Eliane de Oliveira Zambon, proprietária de uma loja de confecção feminina, teve a parede de seu estabelecimento pichada três vezes.

Nas duas primeiras vezes, ela mandou pintar a parede, mas de nada adiantou. Os pichadores voltaram e deixaram suas marcas, que continuam lá até hoje. Eliane diz que está pesquisando o preço de uma tinta que não absorve a pichação. Assim, ao invés de pintar toda a parede novamente, seria preciso apenas lavar onde foi pichado para se livrar do incômodo. Mas o preço dessa tinta, segundo Eliane, desencoraja qualquer um.

Da última vez que mandou pintar a parede da loja, ela gastou R$ 1,2 mil. “Fica feio se não pintar tudo”, justifica. De nada adiantou a despesa. Cerca de um mês mais tarde, a marca do vandalismo estava de volta.

“Eu acho que falta punição. Eles (pichadores) se sentem muito à vontade para sair por aí danificando os muros e paredes”, reclama desanimada.