10 de julho de 2026
Bairros

‘Antigos’ também almejam ‘novos ares’

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar de possuir diversos aspectos positivos, uma rotina de várias décadas pode ser muito cansativa. Quando não é possível mais contornar a insatisfação, o desejo de mudança chega e não dá trégua. Livrar-se dele é tarefa quase impossível. Roberto Francisco Lopes Neco, 54 anos, mora no Núcleo Nova Esperança desde 1969.

Antes ele vivia na Vila Dutra e quando se mudou para o bairro tinha apenas 17 anos. De lá para cá, Neco fez amigos, ficou conhecido e tudo mais; até presidente do clube de futebol amador do bairro, o Esporte Clube Prudência, ele chegou a ser (entre 1989 e 1992).

Portanto, ele está longe de ser infeliz. Acontece que, de uns tempos para cá, ele anda meio desanimado. Desempregado, Neco não enxerga boas perspectivas de encontrar trabalho no local onde mora. “Essa região oeste de Bauru (onde o núcleo está localizado) anda meio paradona, não vai pra frente”, pensa.

Ele acha que teria maiores oportunidades na zona leste da cidade, em bairros próximos aos Distritos Industriais I e II, como o Jardim Redentor, por exemplo. “Pelo menos as empresas estão todas lá”, lembra. Às vezes, o desânimo de Neco parece ter uma causa que vai além da falta de emprego. “São quase 40 anos no mesmo bairro, é complicado”, diz.

Ele acredita que só não se mudou ainda porque a mãe, Luzia Fraga Lopes, 77 anos, com quem mora, acostumou-se com a vizinhança. Por enquanto, Neco vai ficando, só que com vontade de partir. Em outro bairro, gente que queria ir, acabou ficando. Tempos atrás, Luzia Kamimura Matsumoto, 66 anos, até pensou em deixar a casa da Vila Independência, onde vive desde o final dos anos 60.

“Minha filha estava trabalhando em Londrina (Paraná). Meu marido (Nobor Matsumoto, dono de uma bicicletaria que funcionou no bairro até 2003) ainda era vivo, então resolvemos nos mudar para lá. Eu queria almoçar com ela todos os dias”, conta.

Luzia estava decidida, mas acabou não se mudando. É que ela teve receio de que a futura casa não tivesse a mesma qualidade da atual. “Imagina se depois de comprada ela começasse a dar problema? Aqui eu conheço vi sendo feita. Lá não”, explica. Desde a última reforma, feita 25 anos atrás, o imóvel nunca precisou sequer de uma pintura nas paredes internas.