10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Pessoas têm comportamento agressivo

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O termo Burnout deriva do inglês e é uma composição de burn (queima) e out (exterior), sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço. A Síndrome de Burnout é a conseqüência mais depressiva do estresse causado pelo trabalho.

A enfermeira Cleusa Assis Pinto trabalha há 17 anos como enfermeira. Foram 20 anos na Maternidade Santa Isabel e há dez anos ela trabalha no Pronto-Socorro Municipal. Durante esse tempo, ela viveu momentos de muita tensão e também viu colegas irritados. “É muito sofrimento. A gente se depara o tempo todo com a morte e com a tristeza”, relata Cleusa.

A categoria de enfermeiros é uma das mais suscetíveis à Síndrome de Burnout por causa da pressão emocional constante a que estão sujeitos. Além disso, o baixo salário faz com que parte desses profissionais procure um segundo emprego para complementar a renda, o que contribui ainda mais para o esgotamento.

Cleusa conta que na época em que trabalhava na Maternidade o clima era menos carregado, mas no pronto-socorro a realidade é outra completamente diferente. Além da pressão por falta de médicos, há a pressão também da família do paciente e do próprio paciente pela demora no atendimento.

“Aqui não tem dia tranqüilo. É uma loucura o tempo todo. Só de madrugada é que dá uma acalmada”, diz a enfermeira. Para aliviar a tensão, Cleusa ouve música e procura passear sempre que pode. Quando o desgaste físico e emocional atinge um nível preocupante, a alternativa mais comum são as licenças médicas. Folgas e férias também são utilizadas como medidas preventivas para evitar a Síndrome de Burnout.

Uma agente penitenciária que pediu para não ser identificada relata que o refúgio mais comum utilizado pelas colegas de trabalho é a bebida. É a maneira que elas encontram de se desligarem por algumas horas da dura realidade do sistema penitenciário.

De um modo geral, a jornada de trabalho de um agente são 12 horas seguidas de serviço sem direito a pausa nem para um lanche, e depois 36 horas de descanso. O principal ponto de tensão é quando os agentes se misturam aos presos no pátio da penitenciária. O risco de ser feito refém em uma eventual rebelião é muito grande. “A gente nunca sabe se vai voltar viva para casa”, comenta a agente de Bauru que trabalha em uma penitenciária feminina no Interior do Estado.

Segundo ela, a fragilidade da segurança dentro e fora do sistema prisional é o que mais preocupa. “Não podemos nos identificar como agentes porque corremos o risco de morrer. Temos de viver escondidos.”

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Ilhas de lazer

Uma das formas de se combater a Síndrome de Burnout é diversificar. Ou seja, procurar se entreter com outras coisas e não ficar pensando no trabalho o tempo todo.

“O trabalho não pode ser a única coisa a ocupar a cabeça de uma pessoa. É preciso que existam ilhas de lazer, coisas que dão prazer e possam ser feitas todos os dias ou toda semana”, diz a psiquiatra Elaine Lúcia Dias de Oliveira.

Outra sugestão da psiquiatra para evitar a síndrome é “nunca sacrificar as relações afetivas por causa do trabalho”. Ter alguém para conversar e compartilhar momentos agradáveis é um dos remédios mais poderosos para se evitar a doença.

De acordo com a psicóloga Vera Borges de Carvalho, outras formas de prevenção é estabelecer mudanças na organização do trabalho, diminuir a competitividade, estabelecer metas coletivas e diminuir a intensidade de trabalho. Segundo ela, essas pequenas ações podem melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, evitando assim a Síndrome de Burnout.