08 de julho de 2026
Nacional

Cidade grande é desafio para arquitetos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O século 21 chegou e trouxe mais uma provocação para a arquitetura. Com a maior parte da população vivendo em áreas urbanizadas, profissionais da nova geração terão de resolver uma equação difícil: cidades infladas, violentas, poluídas, sem transporte e uma busca de qualidade de vida. O desafio está posto para todos, mas é o ofício que desde a pré-História procura criar abrigo para o homem que pode solucioná-lo.

Para o presidente da comissão de graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de São Paulo (USP), Paulo César Pereira, 58 anos, as cidades são a grande questão contemporânea. Não se trata apenas de cuidar delas, mas de ajudar a construir a cidadania. “Temos que preservar a civilização e nos preservar da barbárie - não criando muros, mas sim espaços agradáveis de convivência’’, diz.

Segundo o arquiteto Fernando de Mello Franco, 42 anos, sócio do escritório MMBB, o que diferencia a reflexão da arquitetura neste século é como abrigar a todos em uma realidade de superpopulação, esgotamento e escassez de recursos. “Pensar as cidades é uma das atribuições e tenderá a ser cada vez mais, pois não se pode esquecer que elas são as grandes promotoras de encontros.’’

Para encontrar soluções, Pereira aposta na fusão entre pesquisa científica e prática profissional. “Percebo uma renovação nas novas turmas, uma vontade de enfrentar os problemas da cidade. Temos que canalizar essa vontade a partir dos instrumentos da ciência.’’

Curso

Muitos dos que optam pela carreira, entretanto, não conhecem bem o jogo que está na mesa, conforme explica o coordenador do curso de arquitetura e urbanismo da UFMG, César Gualtieri, 58 anos. Ele diz que metade dos alunos chega sem ter certeza sobre o que o arquiteto pode fazer pela sociedade. Para os que estão dispostos a buscar soluções e a se tornar grandes profissionais, o arquiteto Franco sugere que se faça contatos desde cedo: “É na faculdade que se estabelecem as primeiras parcerias de uma atividade bastante coletiva. Construir as interlocuções futuras é fundamental’’.

Segundo Ciro Pirondi, 50 anos, diretor da Escola da Cidade - fundada há cinco anos em São Paulo, cujo modelo pedagógico pretende integrar o conhecimento -, o mercado de trabalho carece de arquitetos: “Basta olhar ao redor e constatar o quanto o saber arquitetônico e urbano é necessário’’.

Gualtieri, da UFMG, concorda, mas pondera que, como em qualquer profissão, não há garantia de emprego. Esse é uma preocupação para a aluna do segundo ano de arquitetura da USP Amanda Antunes, 20 anos, que diz gostar do curso que escolheu assim que conheceu o prédio da FAU e se “encantou’’. “As discussões em sala de aula estão aquém do que esperava, mas a faculdade proporciona outros espaços, como o da arte e o da criação.’’

No futuro, ela pensa em trabalhar em um escritório de arquitetura. Sonho de quase todos, entretanto, esse não é o destino da maioria. “É muito comum que os arquitetos trabalhem na construção civil, na área de planejamento ou tocando obras’’, afirma Gualtieri. A contrapartida fica por conta da ampla área de atuação, que envolve tudo o que lida com a dimensão espacial.