08 de julho de 2026
RH & Tendências

Melhoria Contínua


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Fora-da-lei

Todo início de ano, após as férias, é muito propício e comum fazer um balanço do ano que passou, principalmente devido a vantagem de se estar com a mente descansada, fator que contribui para enxergar melhor a realidade.

Visando traçar novas metas, munido de observações contínuas e documentações sobre os funcionários, clientes, concorrentes e fatores externos que exercem influências na organização, o empresário normalmente questiona: o que estamos fazendo?; por que estamos fazendo assim?; para onde queremos ir?, considerando que o pior que pode acontecer é colocar a competência da empresa na direção errada.

Perguntas imprescindíveis quando se pensa em competitividade. Só que incompletas. Tem que se perguntar também: “Fomos éticos no ano que findou?”.

Motivo principal: não devemos brincar com o poder da ética, pois toda ação provoca uma reação no sentido contrário. Em outras palavras, devemos relembrar a famosa fala “o mundo dá voltas”. Portanto, se prejudicamos alguém (sócios, fornecedores, clientes), podemos esperar que a reação virá. E isso tem que ser planejado para não ser pego de calça curta.

É muito comum encontrar empresas que estão fazendo tudo direitinho, mas os resultados não ocorrem como esperado. São fortes indícios de reações. Você averigua o passado da empresa e encontra as causas na ausência de ética.

Eu sei que muitos empresários e profissionais não acreditam nessa lei. É compreensível, pois o que escuto, eu esqueço com muita facilidade; o que vejo, consigo me lembrar, mas o que vivencio, eu aprendo e jamais esqueço. Por isso, para os que estão em dúvida, sugiro testar essa lei com algo pequeno, sem grandes conseqüências.

Como exemplo, há anos os cientistas e ecologistas falaram sobre os efeitos do aquecimento global. Nós só ouvimos. As conseqüências foram devagarinho se manifestando através de furacões, inundações e alterações climáticas nocivas à agricultura.

O homem, aparentemente sábio, brinca com a lei da natureza que é consistente e inalterável, confundindo com a lei dos homens que está em constante evolução.

Há mais de 20 anos que ouço falar em mudanças grandes e rápidas no mundo empresarial. Mas o que estamos vendo mesmo são mudanças apenas nas formas de gestão e nas tecnologias. Com o ser humano o processo é muito lento. Basta observar a intriga, a fofoca, a cobiça, o ódio, a traição, o roubo e outras negatividades tão presentes no ambiente empresarial.

São pouquíssimos empresários e profissionais éticos. Dá para se contar nos dedos. Por isso, não é de se estranhar todos esses escândalos políticos e a falta de indignação do povo brasileiro manifestada nas últimas eleições. O brasileiro, com raras exceções, ainda deixa muito a desejar na questão da ética.

Conseqüentemente vale o slogan “cada povo tem os políticos que merece”. Nesses novos tempos, minha esperança é de que os profissionais façam esforços para não gerar débitos na riqueza moral, caminhando para a ética. Temos de lutar para sermos ganhadores, e não devedores.

Além do mais, o devedor nessa área se torna vítima de um vazio estranho e inexplicável, que tem tudo a ver com a consciência pesada. Com o maior respeito, estar fora dessa lei é tolice das grandes.

Texto de Davison de Lucas, diretor da M. Davison & Associados