08 de julho de 2026
Cultura

Rumo ao Pan

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

“Sempre dei o meu melhor/ Misturei sangue e suor/ Não pensei em desistir/ Tive mente e corpo são/ Hoje eu sei o que é ser um campeão”. É com esses versos (leia a letra completa abaixo) que a banda bauruense Papai Elefante pretende embalar os Jogos Pan-Americanos Rio 2007. O sonho pode parecer distante para uma banda independente do Interior paulista, mas os músicos já fizeram contato com a organização do evento e devem ser recebidos por representantes do Pan para entregar uma gravação da música pessoalmente, no Rio de Janeiro, na próxima semana.

Roberto Garcia (vocal e guitarra), Guilherme Chirinea (baixo), Leonardo Castoldi (bateria) e Felipe Samaan (guitarra) apostam na música “O Campeão” justamente por serem um grupo independente. Em um País que ainda engatinha no incentivo aos esportes e à cultura, atletas e artistas independentes, como a Papai Elefante, se sustentam com arte e força de vontade, para continuar vencendo os obstáculos e alcançar o sonho, como diz a canção.

De acordo com a assessoria de imprensa da banda, “O Campeão” foi composta por Roberto nas Olimpíadas de 2004, quando a Seleção Brasileira de vôlei recebeu a medalha de ouro. “Eu já tinha a música e melodia pronta, mas não conseguia encontrar uma letra. Quando o jogo acabou, eu peguei o violão e a letra saiu inteira, de uma vez”, conta o músico.

A música está no repertório da banda desde então. O baterista Leonardo relata que a idéia de apresentá-la aos organizadores do Pan foi levada adiante da mesma forma que o trabalho de músicos independentes: dando a cara a tapa.

“Procuramos os responsáveis, ligamos e o pessoal se interessou. Disseram que o Pan vai ter uma música-tema, mas ainda não sabiam como ela será escolhida. Vamos entregar ‘O Campeão’ à organização pois achamos que ela é perfeita para ser a música-tema de um evento como esse”, comenta Leonardo. “Quem sabe ela possa embalar mais campeões pelo País”, anseia.

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‘Brega indie rock’

Formada há três anos, a banda Papai Elefante vem realizando as gravações de seu primeiro CD, que deve ser inteiramente de composições próprias, enquanto se apresenta em festas e bares de Bauru e região. Roberto Garcia (vocal e guitarra), Guilherme Chirinea (baixo), Leonardo Castoldi (bateria) e Felipe Samaan (guitarra) brincam com a definição de seu estilo: rock alternativo, universitário, melancólico, “indie”, brega rock... De qualquer forma, ficam claras as influências de U2, Weezer, Strokes e Los Hermanos, entre outros artistas.

“Hoje em dia, está mais fácil ter acesso a estúdios, você entra em sites que abrigam MP3 e vai achar milhares de bandas. O difícil é ter um diferencial em relação às outras. Agora que estamos fazendo essa gravação, não pensamos em fazer algo que venda, que faça sucesso. Queremos que o nosso trabalho passe verdade, que notem que curtimos fazer isso, acredito que vamos encontrar quem se identifique com o som”, comenta o vocalista Roberto, em entrevista divulgada pela banda.

A página da banda bauruense no portal Trama Virtual (www.tramavirutal.com/papai_elefante) apresenta três músicas próprias já finalizadas - “O Mocinho”, “A Tarada, A Apaixonada e A Que Não Queria Nada” e “Você E Eu” – além de “O Campeão”, e dá uma boa amostra rock de verdade que os quatro músicos vêm fazendo.

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“O Campeão”

(Roberto Garcia)

Passos firmes sob o sol

Um sorriso a me guiar

Quem me vê não sonha como foi chegar

Muitas vezes eu lutei

Tantas não pude ganhar

Mas por hoje ninguém vai me derrubar

Não importa contra quem será

Hoje não existe nada não

Nada que possa me parar

Muito se espera de mim

Vejo olhos ao redor

Uns me apoiam, outros querem o pior

Pra quem torce pelo fim

A resposta eu sei de cor

A vitória cala, o aplauso é bem maior

Muitas vezes eu errei

Devo a elas o que eu sei

Aprendi a caminhar

De mãos dadas com a dor

Hoje eu sei o que é ser um vencedor

Você pode ter a força que quiser

Sendo homem ou mulher

Os limites não se explicam com a razão

Você pode alcançar o que sonhar

Quando se aprende a voar

Com as asas que se tem no coração

Fatos, fotos vão ficar

Os mais velhos vão lembrar

Quando já não houver força em minhas mãos

Deles não vou precisar

Tenho as marcas pra provar

Que de todo esforço, nada foi em vão

Sempre dei o meu melhor

Misturei sangue e suor

Não pensei em desistir

Tive mente e corpo são

Hoje eu sei o que é ser um campeão

Você pode ter a força que quiser

Sendo homem ou mulher

Os limites não se explicam com a razão

Você pode alcançar o que sonhar

Quando se aprende a voar

Com as asas que se tem no coração