“Sempre dei o meu melhor/ Misturei sangue e suor/ Não pensei em desistir/ Tive mente e corpo são/ Hoje eu sei o que é ser um campeão”. É com esses versos (leia a letra completa abaixo) que a banda bauruense Papai Elefante pretende embalar os Jogos Pan-Americanos Rio 2007. O sonho pode parecer distante para uma banda independente do Interior paulista, mas os músicos já fizeram contato com a organização do evento e devem ser recebidos por representantes do Pan para entregar uma gravação da música pessoalmente, no Rio de Janeiro, na próxima semana.
Roberto Garcia (vocal e guitarra), Guilherme Chirinea (baixo), Leonardo Castoldi (bateria) e Felipe Samaan (guitarra) apostam na música “O Campeão” justamente por serem um grupo independente. Em um País que ainda engatinha no incentivo aos esportes e à cultura, atletas e artistas independentes, como a Papai Elefante, se sustentam com arte e força de vontade, para continuar vencendo os obstáculos e alcançar o sonho, como diz a canção.
De acordo com a assessoria de imprensa da banda, “O Campeão” foi composta por Roberto nas Olimpíadas de 2004, quando a Seleção Brasileira de vôlei recebeu a medalha de ouro. “Eu já tinha a música e melodia pronta, mas não conseguia encontrar uma letra. Quando o jogo acabou, eu peguei o violão e a letra saiu inteira, de uma vez”, conta o músico.
A música está no repertório da banda desde então. O baterista Leonardo relata que a idéia de apresentá-la aos organizadores do Pan foi levada adiante da mesma forma que o trabalho de músicos independentes: dando a cara a tapa.
“Procuramos os responsáveis, ligamos e o pessoal se interessou. Disseram que o Pan vai ter uma música-tema, mas ainda não sabiam como ela será escolhida. Vamos entregar ‘O Campeão’ à organização pois achamos que ela é perfeita para ser a música-tema de um evento como esse”, comenta Leonardo. “Quem sabe ela possa embalar mais campeões pelo País”, anseia.
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‘Brega indie rock’
Formada há três anos, a banda Papai Elefante vem realizando as gravações de seu primeiro CD, que deve ser inteiramente de composições próprias, enquanto se apresenta em festas e bares de Bauru e região. Roberto Garcia (vocal e guitarra), Guilherme Chirinea (baixo), Leonardo Castoldi (bateria) e Felipe Samaan (guitarra) brincam com a definição de seu estilo: rock alternativo, universitário, melancólico, “indie”, brega rock... De qualquer forma, ficam claras as influências de U2, Weezer, Strokes e Los Hermanos, entre outros artistas.
“Hoje em dia, está mais fácil ter acesso a estúdios, você entra em sites que abrigam MP3 e vai achar milhares de bandas. O difícil é ter um diferencial em relação às outras. Agora que estamos fazendo essa gravação, não pensamos em fazer algo que venda, que faça sucesso. Queremos que o nosso trabalho passe verdade, que notem que curtimos fazer isso, acredito que vamos encontrar quem se identifique com o som”, comenta o vocalista Roberto, em entrevista divulgada pela banda.
A página da banda bauruense no portal Trama Virtual (www.tramavirutal.com/papai_elefante) apresenta três músicas próprias já finalizadas - “O Mocinho”, “A Tarada, A Apaixonada e A Que Não Queria Nada” e “Você E Eu” – além de “O Campeão”, e dá uma boa amostra rock de verdade que os quatro músicos vêm fazendo.
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“O Campeão”
(Roberto Garcia)
Passos firmes sob o sol
Um sorriso a me guiar
Quem me vê não sonha como foi chegar
Muitas vezes eu lutei
Tantas não pude ganhar
Mas por hoje ninguém vai me derrubar
Não importa contra quem será
Hoje não existe nada não
Nada que possa me parar
Muito se espera de mim
Vejo olhos ao redor
Uns me apoiam, outros querem o pior
Pra quem torce pelo fim
A resposta eu sei de cor
A vitória cala, o aplauso é bem maior
Muitas vezes eu errei
Devo a elas o que eu sei
Aprendi a caminhar
De mãos dadas com a dor
Hoje eu sei o que é ser um vencedor
Você pode ter a força que quiser
Sendo homem ou mulher
Os limites não se explicam com a razão
Você pode alcançar o que sonhar
Quando se aprende a voar
Com as asas que se tem no coração
Fatos, fotos vão ficar
Os mais velhos vão lembrar
Quando já não houver força em minhas mãos
Deles não vou precisar
Tenho as marcas pra provar
Que de todo esforço, nada foi em vão
Sempre dei o meu melhor
Misturei sangue e suor
Não pensei em desistir
Tive mente e corpo são
Hoje eu sei o que é ser um campeão
Você pode ter a força que quiser
Sendo homem ou mulher
Os limites não se explicam com a razão
Você pode alcançar o que sonhar
Quando se aprende a voar
Com as asas que se tem no coração