Ao assumir o governo do Estado de São Paulo, há uma semana, José Serra (PSDB) realçou conceitos fundamentais para combater o crime em território paulista como articulação, integração, inteligência policial e prevenção. Parte dessas prioridades já vinha sendo implementada pelo Departamento de Polícia Judiciária-4 (Deinter-4), que espera otimizá-las.
“Vão ser melhoradas com a implementação dos cursos, das reuniões das chefias, por exemplo”, comenta o diretor do Deinter-4, Roberto de Mello Annibal. Ontem, ele apresentou um plano de contingência com metas para reduzir a incidência da criminalidade na região, numa reunião com investigadores. O mesmo projeto será discutido, num próximo encontro, com delegados seccionais.
“O governador quer o aperfeiçoamento da inteligência e a prevenção. E também a integração entre as polícias Civil, Militar, Federal e a Secretaria de Administração. Esse trabalho a gente já tem feito aqui. Cada dia a gente está aprimorando”, reitera o diretor.
Resta, no entanto, estreitar ainda mais as relações com a Polícia Federal (PF). Para tanto, Annibal deve agendar para os próximos dias uma reunião com a direção da PF em Bauru.
“O governador está solicitando, inclusive, aumento do efetivo (da PF) para o Estado de São Paulo. Não bastasse isso, foi feito um plano envolvendo (os Estados de) Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Eu acho que poderia entrar o Paraná”, sugere. A idéia, segundo Annibal, é fazer com que a polícia trabalhe com um único banco de informações.
“Com relação à SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), conversei com o secretário (Antonio Ferreira Pinto). Ele vai emitir uma ordem para que os diretores de penitenciárias façam reuniões com (delegados) seccionais. A cadeia, a penitenciária, é um centro de informação e a gente estava sem acesso”, informa o diretor do Deinter-4.
Comunidade
Para facilitar o fluxo de informações de interesse da Polícia Civil e melhorar o atendimento prestado aos que procuram auxílio nas delegacias, o projeto discutido ontem com o diretor do Deinter-4 prevê também a aproximação das equipes dos distritos policiais com a comunidade local.
“Você é vítima. Eles vão investigar e você não sabe o que está acontecendo. Então (a polícia) vai lá (na residência) e explica para a vítima o que está acontecendo. Mesmo porque eu compartilho da filosofia de que o melhor investigador é a própria vítima. Ela quem sofreu o atentado, que viu. A memória dela vai funcionar”, comenta.
Annibal admite que as diretrizes aumentarão a responsabilidade dos policiais, que já trabalham num quadro enxuto de funcionários. No entanto, ele acredita que seja possível fazer o trabalho, inclusive sem extrapolar o expediente normal. Ele não esquece de ressaltar a abertura de vagas para investigadores e delegado.