Apesar do sol ter aparecido timidamente ontem, o guarda-chuva ainda foi necessário. Somente na primeira semana de janeiro já choveu quase 70% do previsto para o mês inteiro.
Ainda assim, prudentes, os meteorologistas do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) não se sentem à vontade para afirmar que a incidência de chuvas neste início de ano está além do normal.
Só nos sete primeiros dias de janeiro choveu 155,2 milímetros, sendo que a média climatológica para o mês inteiro é de 223 milímetros. “Foram dias chuvosos. Prova disso é o acumulado do ano e os prejuízos que têm provocado. Mas é interessante chegar ao final do mês para fazer uma avaliação. Se mantiver esse ritmo vai ficar acima da média”, diz o meteorologista Adelmo Antonio Correia.
Conforme ele já explicou em outras oportunidades, a chuva tem uma irregularidade temporal. Pode chover muito no início do mês e quase nada no restante dos dias. Mas a previsão para hoje e amanhã é de novas pancadas de chuva, principalmente à tarde. Se a tendência não mudar, é possível que a média climatológica para janeiro seja superada em 2007, como aconteceu um dezembro de 2006.
Segundo cálculos do IPMet, choveu 250 milímetros no último mês do ano passado, ou seja, 19% a mais em relação à média (de 209,9 milímetros para o período).
Calor
Com a diminuição da nebulosidade, a temperatura voltou a subir. As rápidas aparições do Sol transformaram o dia de ontem no mais quente do ano. Os termômetros marcaram 28,8 graus.
Quanto mais claro o dia for, mas quente será, informa Correia. Talvez por conta da pequena variação do tempo, as duas famílias do Parque Jaraguá que foram removidas de suas casas no sábado, voltaram a ocupar seus imóveis, segundo informações de vizinhos. Geminada e de madeira, a residência ainda corre o risco de desabar.
“O chão começou a ceder e a casa inclinar. Essas construções não têm estrutura”, comenta o coordenador da Defesa Civil, Eros Antônio Pereira. Ontem, ele esteve no endereço (quadra 3 da rua Edson Pereira Leite), mas não havia ninguém. “Os barracos e as casas ribeirinhas são preocupação constante”, comenta Eros.
A situação também tira o sono do presidente da Associação de Moradores do Parque Jaraguá, Luiz Carlos Guerra, para quem mais famílias deverão ser retiradas de suas casas, caso a chuva continue. “Bauru está sem administração nenhuma faz tempo”, conclui, ao criticar a gestão de Tuga Angerami (sem partido).