08 de julho de 2026
Internacional

Medidas de Chávez causam repercussão

Por Da Redação | Com Folhapress e Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Caracas - A Bolsa de Valores de Caracas registrou ontem queda, com o efeito sobre a confiança dos investidores causado pelo discurso do presidente venezuelano, Hugo Chávez, durante a posse do novo gabinete.

Chávez anunciou que estatizará empresas de telecomunicações e elétricas, e defendeu uma reforma constitucional para implantar na Venezuela o que tem sido chamado de “socialismo do século 21”.

Ele afirmou também que planeja aumentar o controle estatal sobre projetos petrolíferos. “Tudo o que foi privatizado, deixe que seja nacionalizado”, disse Chávez. “Estamos nos movendo em direção à República Socialista da Venezuela, e isso requer um profunda reforma da nossa Constituição nacional (...) Estamos rumando ao socialismo, e nada nem ninguém pode impedi-lo.”

Chávez citou apenas a Companhia Nacional Teléfonos de Venezuela (CanTV), principal companhia de telefonia - privatizada em 1991 - e maior empresa de capital aberto do país, entre as que poderão ser estatizadas.

Petrobras x PDVSA

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou ontem que o aumento da participação da Venezuela no setor energético do país não altera as relações entre a petrolífera brasileira e a estatal PDVSA.

“Continuamos discutindo com a PDVSA diversos projetos que temos interesse. Isso (a nacionalização anunciada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez) não altera em nada as nossas discussões e relações em projetos na Venezuela”, afirmou Gabrielli a jornalistas. De acordo com Gabrielli, “não é surpresa para ninguém” que Chávez iria “aumentar a participação do Estado sobre as riquezas” do país.

Nos EUA

A administração Bush teme que a tendência de nacionalização de projetos de energia na Venezuela viole os contratos que as companhias internacionais assinaram com o país-membro da Opep, disse ontem o secretário de Energia dos Estados Unidos, Sam Bodman.

“Podemos nos dizer preocupados, porque isso é real”, disse Boldman a repórteres em uma conferência de imprensa com Akira Amari, ministro japonês de Energia, Comércio e Indústria. “O objetivo aqui é reforçar a inviolabilidade dos contratos.”

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse na segunda-feira que quatro projetos bilionários de companhias petrolíferas devem se tornar propriedade do Estado.

Na Nicarágua

A Nicarágua não será uma nova Venezuela com a presidência do sandinista Daniel Ortega porque não possui recursos petroleiros e vai respeitar os investimentos privados e a imprensa, disse ontem o vice-presidente eleito, Jaime Morales.

Ortega vai retomar o poder na quarta-feira como um esquerdista muito mais moderado do que era na década de 1980. Na época, ele governou o país com um discurso marxista e uniforme militar.

“Definitivamente, não. A Nicarágua tem condições muito diferentes das da Venezuela” disse Ortega.

Chávez vai amanhã a Manágua para a posse de Ortega.