11 de julho de 2026
Esportes

Boxe: Bauruenses treinam forte para estréia na Forja do Campeões

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

Os boxeadores bauruenses Tiago Donizete Ildefonso, 21 anos, e Émerson dos Santos, 18 anos, estão em fase final de preparação para a estréia na Forja dos Campeões, edição 2007, onde farão suas primeiras lutas oficiais. O evento é organizado pela Federação Paulista de Boxe e tem sua primeira etapa marcada para a próxima terça-feira, no ginásio Baby Barione, em São Paulo, quando Tiago tem combate agendado diante de Elsio Ferreira Cardoso, de Assis. Émerson ainda não tem data confirmada para sua estréia.

A Forja dos Campeões é disputada em etapas eliminatórias. Os lutadores que perdem estão fora. Em média, são cinco lutas para chegar ao título, mas o total de combates depende do número de atletas inscritos por categoria. O torneio tem previsão para ser encerrado em meados de março e conta com 176 pugilistas inscritos, segundo a Federação Paulista de Boxe.

Tiago e Émerson são treinados por Antônio Marco Pantaleão e Anselmo Silva. Os pugilistas têm uma rotina dura entre trabalho e preparação. “Trabalho durante o dia como serralheiro, saio e venho treinar. Treinamos duas horas, duas vezes por semana. De vez em quando, fazemos um treino intermediário, também de duas horas”, conta Tiago, que luta na categoria meio-médio, até 69 quilos. Émerson, que trabalha no comércio e luta pela categoria leve (até 60 quilos) também se desdobra entre trabalho e treinos noturnos. Ambos finalizam sua preparação na Academia Ricardo Pereira.

O técnico Anselmo Silva comenta que na fase final de treinamento a prioridade tem sido a parte física dos lutadores. “Estamos há três anos trabalhando a técnica, com treino específico, treino de caminhada, movimentação. Nesses últimos dias, estamos fazendo mais a parte física, porque tecnicamente eles estão bem”, afirma.

Falta de patrocínio

Além dos adversários no ringue, os bauruenses terão que nocautear outro oponente para brilhar na Forja: a falta de patrocínio. “(Tiago e Émerson) Estão bem preparados psicologicamente e fisicamente. O único problema é em relação a patrocínio. Mas o esporte no Brasil é assim mesmo, primeiro você tem que provar que é bom para depois começar a aparecer alguma coisa, isso já era esperado. Hoje (ontem) é quinta-feira e ele (Tiago) luta na terça-feira. A Semel avisou que não poderia ajudar na viagem. Então, a gente está correndo atrás, conversando com alguns empresários para ver se consegue ajuda pelo menos no combustível”, revela Pantaleão.

O técnico não descarta nem mesmo a possibilidade de desistir da competição. “O risco deles não irem existe, porque são atletas humildes, trabalham durante o dia e treinam à noite. Mas nós vamos fazer de tudo para que isso não ocorra. Vamos fazer de tudo para ir e representar a cidade bem”, garante.

Pantaleão diz ainda que o boxe passa por um bom momento no País e cita Acelino Popó de Freitas e a sérvia radicada no Brasil Duda Yankovich, campeã brasileira da categoria superleve, como dois fatores que contribuíram para a explosão do número de praticantes. Por isso, espera combates difíceis na Forja. “Isso (Popó e Duda) fez crescer muito o esporte no Brasil, tem muitos torneios acontecendo. O nível da Forja vai ser altíssimo.”

No entanto, o técnico lamenta que em Bauru o boxe não acompanhe o mesmo ritmo. “Aqui em Bauru está ruim, porque não temos um lugar ideal para treino. Nós tínhamos um ringue na administração Nílson Costa, com o secretário Sapé. Depois mudou a administração, ficou uma pessoa lá, não sei se não teve um bom desempenho, mas fechou tudo. Mas a gente não deixa o esporte morrer na cidade. Eu trabalho, estudo, dou treino para eles, corro atrás de patrocínio e, às vezes, banco do bolso”, diz.

Apesar das dificuldades, Pantaleão aposta em bom desempenho de Tiago e Émerson e fala em motivação para justificar sua confiança. “Confio plenamente no desempenho deles. Procuro passar a minha experiência. Eu vivi isso, a falta de patrocínio, a falta de uma alimentação adequada, falta de local de treino adequado e consegui alguns títulos. Então, a dificuldade motiva o atleta a ultrapassar barreiras.”