09 de julho de 2026
Nacional

Lama vinda de Minas deixa 100 mil sem água no norte fluminense

Por Da Redação | Com Folhapress e AE
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) estimou ontem que cerca de 100 mil moradores de cinco municípios do noroeste fluminense ficarão, em média, de seis a sete dias sem água por causa da chegada da lama despejada pela mineradora rio Pomba Cataguases, em Miraí (MG), no rio Fubá, após o rompimento de um dique. Vazaram dois bilhões de litros de lama misturada com bauxita e sulfato de alumínio.

Segundo o presidente da companhia, Wagner Victer, era previsto que a mancha atingisse ontem à noite o município de Laje do Muriaé, a 360 quilômetros da Capital.

Pela manhã, o prefeito de Laje do Muriaé, José Geraldo Pereira de Carvalho, decretou estado de emergência na cidade, por conta da enchente provocada pela subida do nível do rio Muriaé, em função da grande quantidade de lama na água. Já os municípios vizinhos abastecidos pelo rio (Itaperuna, São José de Ubá, Cardoso Moreira e Italva) só devem ser afetados a partir de hoje.

Carvalho mobilizou 13 carros-pipa para transportar água mineral de uma fonte da localidade de Panorama para abastecer a população. A prefeitura vem auxiliando na retirada dos móveis e dos objetos das pessoas desalojadas. No centro da cidade as lojas e os bancos não estão funcionando, as ruas estão alagadas e o trânsito de carretas e caminhões pesados e carros particulares foi totalmente interrompido.

O presidente da Cedae declarou que, até o fim da tarde, a situação estava sob controle no Rio. De acordo com ele, o nível de turbidez da água do rio Muriaé, que abastece os cinco municípios, estava 200 vezes acima do “limite máximo aceitável, o que pode causar a mortandade de peixes e afetar a agricultura da região”.

Victer garantiu que a população desses municípios não corre risco de consumir água poluída. Ele considera difícil a mancha atingir o município de Campos, mas já entrou em contato com o prefeito Alexandre Mocaiber para deixá-lo em estado de alerta.

Para reduzir o impacto do acidente ambiental no Estado, a Cedae montou em Lajes do Muriaé um laboratório móvel para fazer a análise da água a cada meia hora e deslocou a diretoria do interior da companhia para lá. Cinqüenta técnicos trabalham no local.

A cidade de Miraí (335 quilômetros de Belo Horizonte), após um dia inteiro iniciando a limpeza das ruas, recebeu mais uma avalanche de lama na madrugada de ontem. Após 50 minutos de temporal, parte da lama que restava na barragem da Mineradora Rio Pomba Cataguazes invadiu de novo casas e ruas.