São Paulo - O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou ontem que a eleição para a presidência da Câmara “parou o País”. Segundo ele, o governo deixou de fazer a reforma ministerial porque condicionou a mudança de ministros à disputa no Congresso. O candidato derrotado à Presidência da República pelo PSDB também fez reparos à oposição, sugerindo que precisa ser mais contundente nas críticas ao governo.
“O governo vai mal e a oposição também”, admitiu o político tucano. “Nós temos um governo que começa mal. Primeiro, porque condiciona a formação de um novo governo à eleição da Mesa (Diretora da Câmara). Segundo, (porque) não tem projeto. As reformas que o país precisa não estão colocadas na mesa para debate”, afirmou o ex-governador, após fazer palestra na Faculdade de Medicina da USP, na cidade de São Paulo.
Segundo o tucano, o começo do segundo mandato era “desanimador” e criticou a suspensão do processo de concessão à iniciativa privada de sete trechos de rodovias. “O governo mandou um recado para o setor privado: não vou investir (em infra-estrutura)”, disse ele. O tucano, que foi cotado para a presidência da legenda, também criticou a oposição, repetindo o que ex-presidente da República e líder tucano Fernando Henrique Cardoso tem manifestado sobre a necessidade de uma “oposição firme”, que cobre, proponha alternativas e seja audaciosa.
Serra Alckmin ficou constrangido quando foi questionado sobre as primeiras medidas do seu colega de partido e novo governador de São Paulo, José Serra, que determinou a revisão dos contratos do serviço público e o recadastramento dos funcionários. Essa medida visa descobrir a existência de “fantasmas” no quadro de servidores e teria irritado o ex-governador, ainda posse. “Não existe isso. Você poderia ter ‘fantasmas’ é no caso de (servidor) inativo ou pensionista. Isso já é recadastrado. É rotina e é feito todo ano”, afirmou.
Serra também decidiu segurar 100% dos investimentos previstos para janeiro, num montante de R$ 315 milhões. “O ajuste fiscal nunca é uma obra acabada. Você sempre pode avançar mais. Essas medidas são medidas muito boas”, comentou Alckmin.