08 de julho de 2026
Articulistas

Preparação para 2007


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A virada do ano é sempre época de fartura na oferta de estágios, caracterizando-se como um ótimo período para os estudantes que desejam começar a se preparar para enfrentar o cada vez mais exigente mercado de trabalho. O motivo para a abertura dessa grande quantidade de oportunidades é o espaço deixado pelos estudantes que se formam e, conseqüentemente, não renovam seus contratos de estágios.

Vale reforçar, para melhor compreensão, que o estágio é atividade pedagógica, sustentada por um arcabouço legal que tem base na Constituição, sua consagração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e sua disciplina em lei específica, de nº 6.494/77 e decreto de regulamentação nº 87.497/82. Ou seja, só pode estagiar quem estuda.

Embora nesta época do ano a conquista por uma vaga seja mais fácil, ela dependerá muito da apresentação, por parte do estudante, dos diferenciais requisitados pelo mercado de trabalho. Como ocorre no mundo real do trabalho, o candidato que incluir no currículo uma ou mais “experiências prévias” ganhará alguma frente na corrida pela vaga. Entretanto, é perfeitamente compreensível quem veja essa situação como um contra-senso. Afinal, como valorizar esse requisito no caso de um jovem que ainda nem ingressou no mercado de trabalho?

Seria realmente um disparate, se essa situação se referisse exclusivamente à prática anterior em emprego ou em outro tipo de atividade laboral, como acredita a maioria das pessoas ou como ocorria até alguns anos atrás. Ao se deter nesse requisito, o selecionador procura detectar quais as habilidades e competências já adquiridas pelo candidato, levando principalmente em consideração que os aspectos comportamentais ou atitudinais ganham peso de até 40% na avaliação final. Por isso, é importante que o jovem candidato tenha participado de atividades extracurriculares como, por exemplo, seminários ou cursos promovidos por empresas juniores, centros acadêmicos, fundações, etc. Já está reconhecido por especialistas que essas participações estimulam o desenvolvimento de habilidades pessoais muito apreciadas no mundo corporativo, como melhora no relacionamento interpessoal e na capacidade de comunicação. Já outras competências que ganham pontos podem ser incrementadas com a leitura, a freqüência de museus, teatros e cinema, resultando na melhor cultura geral. Esse cenário, que reflete as mudanças que estão alterando profundamente o mercado de trabalho, tem uma comprovação fundamentada em pesquisa independente: o instituto TNS InterScience detectou que 64% dos estagiários são efetivados, após o treinamento prático.

O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp