Até pouco tempo, animais como lobo-guará, paca e cotia eram facilmente avistados nas restingas de mata em Bauru. Porém, com o desmatamento para expansão urbana e exploração das terras para agricultura e caça de espécies como a paca para consumo da carne, cada vez é mais raro vê-los na natureza. Para tentar evitar a extinção de animais e plantas com ocorrência de Bauru, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) elaborou uma lista com espécies sob ameaça.
A lista, com 15 mamíferos, oito aves e oito répteis ameaçados de extinção será publicada na edição de hoje do Diário Oficial de Bauru. A lista é resultado de pesquisas realizadas pelo secretário municipal do Meio Ambiente, Rodrigo Agostinho, que entrevistou pesquisadores do Zoológico Municipal e da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) de Bauru, além de ir pessoalmente a campo.
Segundo Rodrigo, Bauru é o primeiro município do País a publicar uma lista oficial da fauna e flora ameaçada de extinção. Para ele, a lista é um instrumento que pode ajudar na preservação das espécies. “Ajuda porque é uma lista oficial. O segundo passo é fazer um cadastro de onde estas espécies da lista vivem e traçar estratégias de conservação”, explica.
Outra possibilidade é a reprodução em cativeiro de animais ameaçados para soltura na natureza, principalmente os que são alvo de caça, como a cotia, segundo Rodrigo. “É uma espécie que o Zoológico de Bauru já reproduz em cativeiro e faz a soltura. A idéia é potencializar a política de conservação”, frisa.
Ele também propõe que a lista dos animais e plantas ameaçados de extinção passem a ser um critério de análise para concessão de autorização de desmatamentos de terrenos, por exemplo. “Poderá ser analisado até que ponto o desmatamento vai interferir na vida do animal, se há outras áreas onde ele pode sobreviver, se é possível capturá-lo para removê-lo para outra área. Cerca de 93% da área do município de Bauru foram desmatados e a pressão continua justamente em cima de áreas com cobertura vegetal nativa”, destaca.
O urubu-rei entrou na lista porque não é visto em Bauru há muito tempo, segundo Rodrigo, mas recentemente foi avistado em Tibiriçá. “Há um casal sobrevoando Tibiriçá, provavelmente está habitando aquelas matas”, comenta, ressaltando que algumas espécies ameaçadas sobrevivem na área do Jardim Botânico.
A expectativa é que a lista seja revista periodicamente e que, na próxima edição, também possa listar os anfíbios, peixes e até invertebrados, grupos ainda pouco estudados e que não fizeram parte desta primeira edição. A cada revisão das listas nacional e estadual, uma nova relação poderá ser publicada, incorporando os resultados das novas pesquisas.
“Outra esperança é que pesquisadores passem a estudar cada uma destas espécies, propondo inclusive estratégias para que elas possam, em um futuro próximo, saírem da lista”, observa Rodrigo.
As espécies são classificadas em diferentes graus de ameaça: extinta localmente, provavelmente extinta, criticamente em perigo, em perigo, vulnerável e provavelmente ameaçada e têm como base de definição os critérios utilizados pela União Internacional para a Conservação da Natureza.
Participaram da pesquisa o zootecnista Luiz Pires e o biólogo Gérson Rodrigues, ambos do Zoológico Municipal de Bauru, além dos professores doutores Osmar Cavassan, da área de flora, e Reginaldo Donatelli, da área de aves, da Unesp de Bauru.
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Plantas
A lista traz, ainda, 13 espécies da plantas ameaçadas de extinção. Algumas são conhecidas, como aroeira, palmito, cabreúva e sucupira-preta, e outras sequer possuem nomes populares, segundo Rodrigo Agostinho.
A surpresa fica por conta de duas plantas que eram consideradas como provavelmente extintas no Estado de São Paulo e foram reencontradas nas matas de Bauru. “Vamos informar o Estado da ocorrências destas plantas aqui e provavelmente elas serão retiradas da lista de extintas e passadas, provavelmente, para outra categoria de grau de ameaça”, conta.
Da Redação