08 de julho de 2026
Cultura

Sonhos em Bauru

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A carreira bem sucedida e prolífica do artista plástico paulista Marcelo Tanaka terá uma “marca bauruense” a partir do próximo mês. Em visita à cidade para conhecer artistas e instituições locais, ele adianta que pretende passar uma temporada em Bauru para criar mais uma seqüência da série de telas “Sonhos”. Seu intuito é promover uma exposição com uma empresa privada e também uma mostra com visitação aberta ao público, provavelmente em março.

M. Tanaka, como assina suas obras, está “em férias”, ainda colhendo frutos da seleção de uma de suas telas ao Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes, no Carrossel do Louvre, em Paris, no ano passado. “Dez artistas são selecionados para representar a arte atual e eu tive a felicidade de ser escolhido, representando o Brasil no ano passado”, comenta. Após a exposição, ele ganhou uma bolsa de estudos na Espanha e também recebeu convites de trabalho de galerias da Itália.

Enquanto não faz uma escolha entre as novas oportunidades, ele explica sua visita a Bauru, a convite de amigos. “Resolvi passar uma temporada e produzir uma série aqui, para apresentar em fevereiro ou março”, diz, referindo-se a uma exposição já agendada com uma empresa de construção da cidade. Tanaka pretende dar prosseguimento à série de telas abstratas “Sonhos”, iniciada em 2002. “Serão 15 novas obras, e uma eu quero doar ao acervo da Secretaria Municipal de Cultura”, afirma.

Em sua opinião, a produção das telas em uma situação diferente de seu habitual – em seu ateliê em São Paulo ou no Guarujá, onde também tem residência – não é motivo para dificuldades. Pelo contrário, ele espera inserir elementos e ter influências de Bauru e das pessoas com quem conviver no período que passar no município.

“Gosto muito do Interior. Minha pintura sempre tem o marrom, para mim é a terra, minha ligação com a natureza, os gostos e cheiros, características que são próprias de mim. O artista que não se sente à vontade fora de seu ambiente acaba condicionando-se a uma obrigatoriedade para criar. Para mim, sentir o local, os cheiros, criar esse ambiente novo permite uma série de influências para as novas obras”, explica o artista.

Trajetória

Marcelo Tanaka começou a pintar aos 8 anos. Na adolescência buscou formação em escolas do Brasil e, posteriormente, partiu para o Japão, onde permaneceu dois anos estudando arte. “Me aprofundei em técnicas orientais milenares”, relembra, afirmando que voltou ao Brasil já decidido a continuar seus estudos e focar sua arte na pintura abstrata.

Em sua trajetória, Tanaka já participou de diversas mostras pessoais e exposições coletivas no Brasil e também no Exterior, além de ter sua produção incluída em importantes anuários de arte desde 2001.

Ele destaca que vem se especializando em uma técnica que era própria de artistas gregos, romanos e egípcios: a eucáustica. “É uma técnica muito apurada de pintura que usa cera de abelha e vernizes. Desenvolvi uma técnica paralela, com outros materiais além desses componentes originais, com temperatura controlada, para obter similaridade com a eucáustica. É uma técnica nobre”, afirma o artista plástico.

Em sua passagem por Bauru, ele deve realizar um curso sobre essa técnica para artistas, com vagas limitadas, no Ateliê Mara Mazeto. Outra intenção de Tanaka é conversar com estudantes de arte sobre o trabalho como artista plástico e o mercado de obras no Brasil. “Gostaria de passar minha experiência, como artista que vivo, hoje, da minha arte, e orientar sobre o que é a obra de arte para a sociedade e o que se espera de um profissional”, aponta.

Mais informações sobre o trabalho e contato com Marcelo Tanaka podem ser obtidos no site www.mtanaka.com.br (que está desatualizado) ou pelo e-mail artemarcelotanaka@gmail.com. Informações sobre o curso que ele deve dar em Bauru pelo telefone (14) 3214-4816, com Ângela.