08 de julho de 2026
Nacional

Inflação oficial é a menor desde 1998

Por Clarice Spitz | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - O IPCA encerrou 2006 com uma inflação de 3,14%, praticamente a metade da taxa apurada em 2005, que foi de 5,69%. Trata-se do menor índice oficial de inflação desde 1998, quando a alta havia sido de 1,65%. O resultado fica bem abaixo do centro da meta de inflação para este ano, que era de 4,5%.

É a primeira vez que isso acontece desde o início do regime de metas e reforça o discurso da política conservadora de juros do Banco Central. Com o resultado, o Brasil passa a ocupar o terceiro lugar entre os países da América Latina com menor índice de preços, atrás apenas do Peru (2,4%) e do Panamá (2,8%). No ano anterior, o Brasil estava bem atrás, na 11.ª posição entre os 19 países latino-americanos do ranking.

O ranking foi elaborado pelo economista-chefe da consultoria Austin Ratings, Alex Agostini e leva em consideração os índices de preço projetados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em setembro - último relatório disponível. Entre as economias emergentes, o Brasil ocupa em 2006 a 11.ª posição, na frente do Equador (3,2%) e Chile (3,5%), por exemplo. Nessa comparação, a Argentina aparece em 33.º lugar (9,8%).

A Polônia tem a mais baixa inflação entre os emergentes, 0,9%, e é seguida pela Arábia Saudita, com 1%, e por alguns países asiáticos. Entre os Brics - grupo de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China -, o Brasil aparece em segundo lugar, com o dobro da inflação da China (1,5%). A Índia fica em terceiro, com inflação de 5,6%, e a Rússia, com 9,7%.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o real valorizado, a boa oferta de produtos agrícolas e os menores aumentos de tarifas públicas sustentaram a redução da inflação ao longo do ano passado. Os alimentos tiveram alta de 1,22%. Os artigos de residência, que abrangem mobiliário e artigos domésticos, registraram variação negativa de 2,72%. A energia elétrica teve resultado muito próximo da estabilidade no ano (0,28%) e as tarifas de telefonia fixa caíram 0,83%.

O reajuste dos combustíveis, de 2,30%, também ficou abaixo do índice geral. Outros itens que não pressionaram os preços devido a influências da queda do dólar foram higiene pessoal (0,65%), aparelhos de TV, som e informática (-12,07%) e artigos de limpeza (-2,29%).

Dezembro

Em dezembro, a inflação medida pelo índice foi de 0,48%, acima do índice de novembro, que havia sido de 0,31%, e em linha com as previsões de mercado, que apontavam alta de 0,45%. A principal pressão sobre os preços veio do reajuste dos transportes na região metropolitana de São Paulo.

Os aumentos de trem, ônibus, táxi e metrô provocaram um aumento de 2,91% no grupo transportes em São Paulo, gerando uma contribuição de 0,24 ponto percentual na inflação geral. Por outro lado, a alta dos alimentos foi bem menor que em novembro. O grupo subiu 0,39%, contra 0,50% no mês anterior.