Baidoa - O Parlamento da Somália declarou ontem estado de emergência no país por 90 dias, aprovando o plano do governo de transição do premiê Ali Mohamed Gedi, apoiado pela ONU e por tropas etíopes, para pôr fim ao confronto com extremistas islâmicos, que controlam o Sul do país.
“O Parlamento de transição somali aprovou uma lei que instaura o estado de emergência e permitirá ao governo levar adiante as ações necessárias para reforçar a segurança no país”, segundo um comunicado do governo.
O prazo pode ser prorrogado pelo Parlamento a pedido do presidente. A votação foi realizada na sede do Parlamento, em Baidoa (cerca de 250 quilômetros a noroeste de Mogadíscio, Capital somali).
A lei que instaura por três meses o estado de emergência autoriza o presidente somali a publicar decretos relativos à segurança nacional ou a proibir manifestações não autorizadas ou os postos de controle instalados no país para extorquir dinheiro dos civis.
O porta-voz do governo somali, Abdirahman Dinari, disse que o povoado litorâneo de Ras Kamboni, próximo da fronteira com o Quênia, foi tomado na sexta-feira, depois de breves combates, obrigando os extremistas a se refugiarem em morros vizinhos.
Anteontem também combatentes armados ligados aos “senhores da guerra” (grupos armados islâmicos) concordaram em se desarmar e se unir ao Exército da Somália. O anúncio foi feito após uma reunião entre o presidente Abdullahi Yusuf e “senhores da guerra” ligados a clãs.
“Os ‘senhores da guerra’ e o governo concordaram em colaborar para restaurar a paz na Somália”, afirmou o porta-voz Abdirahman Dinari após o encontro, durante o qual Yusuf reuniu-se com três “senhores da guerra” e dois líderes de outras facções.
Apesar do acordo, homens armados lançaram granadas e trocaram tiros com soldados anteontem em Mogadíscio. O confronto, que teria sido causado por divergências para estacionar um veículo do Exército, deixou seis mortos e dez feridos.
Em 24 de dezembro, a Etiópia invadiu a Somália para depor membros da União das Cortes Islâmicas (UCI). Muitos dos extremistas se dispersaram, mas alguns grupos se concentraram na fronteira com o Quênia, e outros escondidos em Mogadíscio ameaçam recorrer à guerrilha.
Diplomatas temem que os extremistas islâmicos, sem obter sucesso nos confrontos tradicionais, passem a recorrer a táticas de guerrilha para atingir o governo cristão da Etiópia, criando o que considerariam um conflito ‘religioso”. Cerca de 40% dos etíopes são cristãos.
A Somália vive instabilidade política desde 1991, quando os “senhores da guerra” depuseram o ditador Siad Barre. Desde então, 13 tentativas de estabelecer um governo falharam. O atual governo foi instituído em 2004, com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU).