Março ainda não chegou e o verão está longe de ser fechado, mas no Parque Roosevelt (zona oeste da cidade) as águas da chuva já trouxeram um mundo de inconvenientes: paus, pedras, pedaços de tocos; só faltou febre terçã. Para os moradores, o bairro já se tornou o fim do caminho. “Este é lugar mais abandonado de Bauru”, acredita o comerciante José Carlos Bonfim, 55 anos.
Devido aos temporais dos últimos dias, a rua onde ele vive, a Dirce Regino Negrato, transformou-se em um imenso lamaçal. No local, poças gigantescas disputam espaço com inúmeras crateras abertas pela enxurrada. Isso sem contar o mato, que aos poucos vai tomando conta das vias.
“Andar pelo bairro se parece mais com um safari”, queixa-se. Por outro lado, Bonfim vê um lado positivo no capim que cresce sem parar. “Pelo menos ele segura um pouco da enxurrada e impede que os buracos fiquem grandes demais”, pondera.
O comerciante diz isso pensando na rua Luiz de Souza, uma das inúmeras ladeiras esburacadas do bairro, que não conta sequer com o mato para se proteger da enxurrada. As valas existentes na via são tantas que os moradores a apelidaram de “Rua Transparente”.
“Dá para ver tudo no meio dessa buraqueira: tubulação de esgoto, cano d’água, galerias de chuva”, explica a dona de casa Andréia Cristina de Oliveira, 32 anos. Ela é casada com o vice-presidente da associação de moradores do bairro, o construtor Edson Carlos Barbosa Leite, 43 anos, que vive há quase duas décadas no local.
Promessas de asfalto os dois já ouviram aos punhados. “Acho que foram umas 50, pelo menos”, diz ele. Até agora, porém, as ruas de terra do bairro não receberam qualquer tipo de benfeitoria por parte do poder público, à exceção de serviços esporádicos de terraplanagem.
“Se fosse somar todo o dinheiro que a prefeitura já gastou para tapar os buracos com terra, dava para ter asfaltado o bairro inteiro”, calcula Bonfim. Enquanto as chuvas não dão trégua, os moradores do Parque Roosevelt têm de torcer para que futuros temporais não deixem as crateras ainda maiores.
“Está difícil de transitar por essas ruas. Os vizinhos estão sendo obrigados a passar com o carro pela calçada para não caírem nas valas”, diz Andréia, que teme pela segurança dos filhos (um de 12 e outra de 4 anos). A preocupação manifestada pela dona de casa não é excesso de zelo.
Além dos carros que circulam quase dentro dos quintais, as ruas do Parque Roosevelt oferecem outros riscos aos moradores. Nas valas abertas pela enxurrada podem ser encontrados diversos materiais cortantes, como telhas quebradas, pedaços de azulejos, cacos de vidro e latas enferrujadas. “De vez em quando aparecem até seringas no meio da lama”, garante ela.