08 de julho de 2026
Geral

Matéria ambiental é pouco educativa

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A cobertura jornalística sobre temas ambientais precisa melhorar. Está faltando explicar melhor os fatos e dizer como eles poderiam ser evitados. Essa foi a conclusão de um estudo feito pelo professor Pedro Celso Campos, coordenador de ensino de comunicação social da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O estudo faz parte da tese de doutorado apresentada no ano passado pelo professor.

De janeiro a julho de 2005, ele analisou 27 edições dominicais dos jornais Folha de S. Paulo, considerado o maior do País, e Jornal da Cidade, que na época era o único de Bauru. A pesquisa, segundo ele, mostrou que existe uma certa indiferença dos meios de comunicação com o potencial educativo que as matérias possuem em relação ao meio ambiente e ao consumo sustentável.

Além disso, falta uma abordagem mais crítica das notícias. Ou seja, na avaliação do professor, não há uma preocupação em explicar as causas e as conseqüências dos fatos relatados.

“Comparando a cobertura feita por um grande jornal (Folha de S. Paulo) com outro menor (Jornal da Cidade) e somando isso a outras pesquisas, chega-se à conclusão que as matérias são pouco educativas”, afirma. “Os jornais estão mais preocupados em noticiar. Isso é muito bom, mas não basta. É preciso aprofundar mais o assunto”, analisa.

Para o professor, os meios de comunicação de massa têm um papel fundamental na formação da cidadania. Por isso, ao investir mais no trabalho de conscientização, esses meios estariam dando uma valiosa contribuição para a preservação do meio ambiente.

O jornalismo ambiental é uma novidade na maioria das universidades brasileiras. Talvez por isso os profissionais encarregados de cobrir esse tipo de assunto não se mostram tão bem preparados. Então, uma das maneiras de solucionar essa carência é implantar o ensino de jornalismo ambiental em todas as universidades do País.

Na opinião do professor, seria uma forma de preparar profissionais conscientes e sensíveis aos problemas sociais e ambientais. Além disso, seria uma boa oportunidade de modificar a linguagem jornalística para introduzir um viés educativo nas matérias sobre o meio ambiente.

Engajamento

Para Pedro Campos, é preciso um engajamento pessoal do jornalista. Primeiro como estudante, depois como profissional e como cidadão em favor da causa ambiental.

“Queremos que eles estudem a abordagem sistêmica para estabelecer as necessárias relações entre os fenômenos que testemunharão como jornalistas. Para que possam ser cidadãos de fato e possam produzir suas matérias com ética, garra, emoção e criatividade”, diz o professor em seu trabalho.

Segundo ele, o meio ambiente é um assunto que interessa (ou pelo menos deveria interessar) a todos. “De Bill Gates até a pessoa que recolhe o lixo. Na hora que isso desabar, vai cair na cabeça de todos. Não importa se é rico ou pobre”, diz Campos, fazendo menção às catástrofes previstas a médio e longo prazos, se nada for feito para diminuir as agressões ao meio ambiente.

Campos revela que tem um plano de ensino pronto para implantar a disciplina de jornalismo ambiental na Unesp, mas antes alguns obstáculos precisam ser vencidos.

“Não é fácil. É muita burocracia. Tem de caber na grade curricular. É tão demorado que a gente chega a pensar em oferecê-la como matéria optativa. Neste caso, o trâmite é mais rápido.”

Enquanto isso, o professor faz planos mais imediatos, como uma série de palestras semanais para tratar de assuntos ambientais. Se conseguir, as palestras serão uma espécie de embrião de um projeto ainda maior: trazer para Bauru um seminário regional de jornalismo voltado ao meio ambiente.