Botucatu - Durante o ano passado, a equipe de Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) recebeu 27 notificações de casos suspeitos de dengue, sendo que cinco deles foram positivos. Na avaliação da coordenadoria da VSA, o ano de 2006 fechou com índice de breteau (IB) satisfatório na comparação com anos anteriores.
O IB mede o grau de infestação de larvas do mosquito Aedes aegypti em pontos da cidade. A última medição de 2006 ocorreu no mês de outubro e ficou em 0,46. Vale lembrar que em fevereiro do mesmo ano - época de chuvas - o índice medido pela equipe da VSA chegou a 5,82, considerado alto pelo Ministério da Saúde, que tolera índices abaixo de 1. No ano anterior, em 2005, o IB medido no mês de novembro ficou em 0,58, portanto, um pouco acima da última medição feita em 2006.
“Pode-se perceber que a infestação vem diminuindo ao longo desses anos, embora períodos de maior pluviosidade (chuvas) elevem significativamente a incidência”, comenta André Peres Barbosa de Castro, coordenador da equipe de VSA.
O fato do IB saltar em fevereiro, segundo Peres, está relacionado a uma situação peculiar em que as pessoas costumam viajar neste mês, deixando a casa desocupada, e também ao alto índice pluviométrico. “As chuvas aumentam e qualquer material que estiver guardado de forma inadequada (nas casas) pode servir de criadouro”, explica.
O coordenador ressalta que no último levantamento feito pela VSA, as áreas da cidade onde foram encontrados maiores números de larvas foram: região 2, que abrange os bairros Recanto Azul e Rubião Júnior, e região 3, área da Cohab 1. Na região 2 o índice ficou em 0,64, enquanto na região 3 ficou em 0,59. A região 1, dos bairros próximos à Vila dos Lavradores, o IB foi de 0,31 e na região 4, setor de abrangência da Vila Maria, o índice ficou em 0,23.
“Os grandes responsáveis pela presença do mosquito foram os pratos de plantas, recipientes inservíveis e os bebedouros para animais”, alerta Peres.
No ano passado a equipe de VSA recebeu 27 notificações de casos suspeitos de dengue, sendo que cinco foram positivos. Nenhum desses casos, no entanto, foi autóctone, ou seja, todas as pessoas tinham histórico de terem viajado para municípios com transmissão da dengue.
O coordenador atribui a diminuição dos índices de breteau - na avaliação feita no período de 2001 a 2006 - ao trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos pela equipe da VSA. “A partir do momento que começou a estruturação da equipe e que o trabalho melhorou em termos de informação e da rotina de visitar as casas, nós fomos percebendo uma diminuição na quantidade dos materiais que eles deixam no quintal acumulando água”, diz.
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Campanha na Rodoviária
Devido aos casos autóctones de dengue em Botucatu registrados no ano passado, a equipe de Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) iniciou neste mês uma campanha de orientação na Rodoviária da cidade. Num estande instalado no local, agentes de saúde estão informando as pessoas que pretendem viajar sobre os sintomas da dengue. O trabalho está sendo feito através de panfletos que fornecem dados sobre os cuidados que a pessoa deve ter para evitar a doença.
“Tem também uma lista com as principais cidades do Estado de São Paulo que nós sabemos ter a transmissão da dengue. É uma forma de alertar a pessoa, caso pretenda ir para aquele município, sobre os cuidados que deve ter”, diz Peres André Peres Barbosa de Castro, coordenador da equipe de VSA. A campanha, segundo ele, vai até o final de março. Em 2004 a Secretaria de Saúde de Botucatu registrou duas notificações de casos suspeitos de dengue. Em 2005 foram 17 notificações e no ano passado, 27. “Isso demonstra que o trabalho de orientação da VSA tem feito a população procurar o Sistema de Saúde, e com isso temos uma melhoria nas notificações de casos suspeitos, o que resulta num melhor trabalho de vigilância à saúde”, comemora Peres.